segunda-feira, 21 de março de 2011

Angelus do Papa Bento XVI no 2º Domingo da Quaresma

Domingo, 20 de março de 2011, 12h22

(tradução de Mirticeli Medeiros - equipe CN Notícias)

Queridos irmãos e irmãs,

Agradeço o Senhor que me doou, nos dias passados, os exercícios espirituais e estou grato também a todos que estiveram próximos de mim através da oração. No domingo de hoje, o segundo da Quaresma, é chamado o da Transfiguração, porque o Evangelho narra este mistério da vida de Cristo. “Ele depois de ter pré-anunciado aos discípulos sua Paixão, levou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e os conduziu à parte, sobre o monte. Ele se transfigurou diante deles: o seu rosto brilhou como o sol e as suas vestes se tornaram brancas como a luz" (Mt 17,1-2). Segundo os sentidos, a luz do sol é a mais intensa que se conheça na natureza, mas segundo o espírito, os discípulos viram, por um breve tempo, um esplendor ainda mais intenso, aquele da glória divina de Jesus, que ilumina toda a história da salvação. São Maximo, o confessor, afirma que as vestes que se tornaram brancas traziam o símbolo das palavras da Sagrada Escritura, que tornam- se claras, transparentes e luminosas” (Ambiguum 10: PG 91, 1128 B).

Diz o Evangelho, que ao lado de Jesus transfigurado “apareceram Moisés e Elias que conversavam com ele” (Mt 17,3). “Senhor é bom para nós estar aqui! Se quiserdes, farei aqui três tendas, uma para Ti, uma para Moisés e uma para Elias (Mt 17,4). Mas, Santo Agostinho comenta dizendo que nós temos umas só morada: Cristo. Ele é a “Palavra de Deus na Lei, Palavra de Deus nos Profetas” (Sermo De Verbis Ev. 78,3: PL 38, 491). De fato, o próprio Pai proclama: “Este é meu filho amado: nele coloco minha afeição. “Escutem-no” (Mt 17,5). A transfiguração não é uma mudança de Jesus, mas é a revelação da sua divindade, a íntima compenetração do seu ser com Deus, que se torna pura luz. “No seu ser que é uno com o Pai, Jesus mesmo é Luz da Luz” (Jesús di Nazaré, Milão 2007, 357). Pedro, Tiago e João que contemplam a divindade do Senhor, são preparados para enfrentar o escândalo da cruz, como é cantado em um antigo hino: “Sobre o monte te transfigurastes e os teus discípulos contemplaram a tua glória, a fim que vendo-te crucificado, compreendessem que a sua Paixão era voluntária e anunciassem ao mundo que és verdadeiramente o esplendor do Pai”.

Caros amigos, participem também desta visão e deste dom sobrenatural, dando espaço à oração e a escuta da Palavra de Deus. Além disso, especialmente neste tempo da Quaresma, exorto, como escreve o servo de Deus Paulo VI, “a responder ao preceito divino da penitência com qualquer ato voluntário, além das renúncias impostas pelo peso da vida cotidiana” (Cost. ap. Pænitemini, 17 fevereiro 1966, III, c: AAS 58 [1966], 182).

Invoquemos à Virgem Maria, a fim que ela nos ajude a escutar e a seguir sempre o Senhor Jesus, até a Paixão e a Cruz, para participar também da sua glória.

Nos dias passados, as notícias preocupantes que chegaram da Líbia suscitaram também em mim um vivo temor e apreensão. Eu rezei de modo particular por esta situação, durante a semana dos exercícios espirituais. Sigo agora os últimos eventos com grande apreensão e rezo por aqueles que estão envolvidos na dramática situação daquele país, além de dirigir um apelo urgente a todos que possuem responsabilidades políticas e militares, a fim que tenha no coração antes de tudo, a segurança dos cidadãos e a garantia dos acessos aos recursos humanitários. À população, desejo assegurar a minha comovida proximidade, enquanto peço a Deus que um horizonte de paz e de concórdia surja o mais rápido possível sobre a Líbia e sobre toda a região norte africana.

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