quarta-feira, 21 de setembro de 2011

“RENEGAR AO NOSSO EU PARA DEIXAR AGIR O ESPÍRITO SANTO”

Às vezes, fico imaginando como seria o mundo cristão e que desenvolvimento teria a nossa religião se cada um dos seus princípios fosse vivido plenamente, ou se ao menos levássemos em maior consideração o renegamento de nós mesmos – aquele renegamento tipicamente cristão que está implícito no amor para com Deus e para com o próximo.

Certamente não teríamos somente uma certa libertação do sofrimento, que, naturalmente, de um modo cristão, isto é, devido àquela alquimia que transforma, pela cruz amada, a dor em amor, mas assistiríamos também a uma autêntica e contínua manifestação de Pentecostes nas almas, a uma invasão do Espírito Santo nas mentes e nos corações.

E é justamente isso que nos lembra a frase do Evangelho que fala sobre o que é ser cristão e o que o distingue dos demais. O cristão é um filho de Deus, porque é guiado pelo Espírito Santo de Deus. A Palavra diz: “Todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, estes são filhos de Deus” (Rm 8,14).

Mas, como sabemos, para que o Espírito Santo possa agir, é necessário que nós correspondamos. São Paulo, escrevendo esta Palavra, pensava principalmente naquele dever dos seguidores de Cristo que é justamente o renegamento de si mesmos, a luta contra o egoísmo em suas formas mais variadas, a morte do “homem velho”.

Além desse, existem outros deveres que conhecemos: o amor a Jesus Abandonado, que significa esforço em viver as virtudes, até mesmo de modo heróico, permite uma maior expansão do Espírito Santo em nós.Existe uma relação entre a cruz e o Espírito Santo como entre causa e feito, e nós a experimentamos todos os dias. Cada corte, cada poda, cada “não” ao nosso eu é fonte de nova luz, de paz, de alegria, de amor, de liberdade interior, é porta aberta ao Espírito Santo.

Eis então o nosso compromisso para os próximos quinze dias: agora que já adquirimos uma certa prática em contar os atos de amor, aceleremos a corrida. Digamos não, não ao nosso eu, para dizermos sim, sim, sim a Deus.

Daremos maior liberdade ao Espírito Santo que está em nossos corações, que poderá conceder-nos com maior abundância os seus dons. Ele poderá guiar-nos e seremos reconhecidos como filhos de Deus. Reneguemos a nós mesmos e desta vez justamente por amor ao Espírito Santo, cuja festa comemoramos há poucos dias.

Além do mais, nosso propósito ao começar a “Santa viagem”, que era de construir a nossa santidade, é algo que depende dEle, pois o Espírito Santo é o Deus santificador, de quem devemos nos tornar amigos. Portanto, relembrando: renegarmo-nos melhor para melhor hospedá-lo em nosso coração.

E para melhor amá-Lo, honra-Lo, procuremos nestes dias meditar sobre o Espírito Santo. Dele falam as Escrituras, não nos esqueçamos dos Atos dos apóstolos; dele falam os livros de meditação que possuímos.

Mas existem ainda outros bons livros sobre Ele. Aprendamos, se ainda não soubermos, algumas orações dirigidas a Ele, como o “Veni Creator”, para poder recitá-las sempre. Em suma, façamos de tudo para conhece-Lo melhor, amá-Lo melhor e rezar melhor, dedicando-lhe as nossas as nossas orações.

A “Santa Viagem” de todos nós dará um salto de qualidade, e a verdade, que existe na nossa fé, será mais conhecida, o reino de Deus haverá de se expandir e o Espírito Santo renovará muitas coisas.

Chiara Lubich

No complemento da meditação hoje veremos a historia de:

CLEMENT GEN 3 DE LUXEMBURGO

Em junho, enquanto eu estava estudando para as provas, Elizabeth me telefonou, para me dizer que Clement morreu afogado no Mar do Norte. Tinham apenas encontrado seu corpo, que foi trazido à praia pelas ondas do mar.

Foi um grande choque: a dor era muito forte. Para transformá-la fui até o piano e, tocando, nasceu uma melodia, que eu quis oferecer como um presente para Clement.

Apesar dos 120 km que nos separavam, eu e Clement estávamos sempre em contato. Nos telefonávamos com frequência e uma vez me disse: “Olha, amanhã vou à tua casa.”

Um dia depois eu o vi chegar com a sua bicicleta, todo suado, porém feliz.

Eu perguntei a Clement: “De onde você está vindo?”

“Estou vindo de casa! Saí pela manhã.”

Ficou comigo alguns dias, e vivemos momentos realmente fantásticos.

Clement morava em Luxemburgo e era gen 3.

Clement queria sempre ficar em contato com todos: telefonava sempre para perguntar como estava na escola, em casa... Estava sempre pronto para ajudar o outro. Era um com quem se podia sempre contar.

Uma das nossa ações foi a visita a uma casa que acolhe refugiados políticos. Queríamos brincar com as crianças, mas elas não sabiam falar a nossa língua, foi Clement quem deu o primeiro passo em direção à elas. Vivemos uma tarde belissíma.

Eu encontrei Clement pela primeira vez durante a preparação do Supercongresso: logo eu notei que ele amava cada um sem distinção.

Clement tinha sempre as idéias meio loucas. Uma vez, por exemplo, tínhamos preparado uma noite para uns setenta Meninos, e ele queria fazer panquecas para todos.

Dentre todos nós, Clement foi aquele que mais entendeu o ideal do Mundo Unido.

Demonstrava mais coragem e entusiasmo em envolver os outros para viver por um Mundo Unido.

Um gen 3 diz: Eu tinha ouvido, falar da Vontade de Deus e, como não conseguia entender sozinho, eu escrevi para o Clemens.

Dias depois eu recebi uma carta sua na qual ele me dizia o que Chiara tinha dito, que fazer a Vontade de Deus significa fazer aquilo que Deus quer de nós (no presente).

Pode ser falar, escutar, atender o telefone, ajudar os outros, rezar, comer ou dormir.

Assim sendo eu entendi que fazer a Vontade de Deus praticamente significa amar.

Um dia fizemos com Clement o pacto do amor recíproco.

Ele afirmava que viver o pacto, significa estar realmente prontos em dar a vida uns pelos outros, como os primeiros cristãos.

Ele tinha certeza que precisa procurar amar os outros, também nas pequenas coisas de cada dia.

Assim se pode chegar ao ideal de dar a vida uns pelos outros.

Clement amava muito a natureza. Chamava a sua atenção até mesmo as pequenas coisas: uma flor na beira da estrada, os passarinhos voando acima de nós.

Caminhava ou andava de mountain bike por horas no meio da natureza. Ele gostava muito, porque lhe dava sempre a possibilidade de descobrir coisas novas.

O seu simbolo preferido era o sol.

Tinha um lema: “que o sol sempre resplandeça no teu coração”.

Ele brilhava para os outros como um sol: era sempre positivo.

Por esse motivo, Clement, atraía e reunia os outros ao seu redor.

Com ele se sentia logo a vontade.

Mesmo a noite, quando os outros iam dormir, ele ficava acordado: era naquele momento no qual nos comunicávamos as coisas mais profundas.

Tínhamos uma troca de opinião muito profunda. Um exemplo concreto: líamos juntos artigos de jornais ou revistas. Depois Clement me dizia o que pensava.

Esse intercâmbio era realmente uma coisa muito especial.

No dia do meu aniversário, Clement me deu essa carta, na qual me propunha de me tornar um sol a cada dia, de ser felizes juntos.

Foi Clement que colocou e mantinha junto todo o grupo. Existia uma luz particular que emanava dele, e contagiava a todos com seu entusiasmo.

Clement me dizia frequentemente todas as atividades que ele fazia: o futebol, o curso de inglês, a escola.

E uma vez quando aconteceu de apaixonar-se por uma garota, me telefonou para entender o que fazer.

Clement na realidade sentia que era melhor ficar aberto a todos.

Um dia estávamos lavando os pratos com Clement e falamos da existência de Jesus e do Paraíso.

Pessoalmente eu não acreditava em uma vida depois da morte, nem na existência de Jesus.

Porém depois, através do seu agir e da sua vida, eu entendi que Jesus realmente existe, e agora acredito na vida eterna.

Quando penso em Clement, me vem em mente a imagem dele vestido como um príncipe em um jogo que tínhamos feito para as crianças.

Para mim isso realmente representa Clement: ele amava cada pessoa, em cada momento.

Sim, é verdade, o meu priminho de 12 anos gostava muito dele, assim como todos os meninos.

O que mais ficou gravado para mim nas conversas com Clement, foi quando falamos do sofrimento.

Ele me dizia de transformar o sofrimento me colocando em amar concretamente e de continuar sorrindo, qualquer coisa aconteça.

A Missa era muito importante para ele. Nunca vi a Missa ser tão importante para um menino da nossa idade.

Quando você falava com Clement, ele te olhava bem nos olhos. Isso te tocava, porque era todo para você. E era realmente puro, não tinha segundas intenções. Era assim com todos e isso era realmente magnífico.

Ele acreditava muito no Paraíso!

Isso me ajudou muito em aceitar a sua morte.

Meu amigo,

o percurso da tua vida

foi bem curto

e mesmo assim tão cheio de significado.

Sobre a tua estrada

as vezes, jogavam

a sua sombra

grandes nuvens escuras.

Mas você

sempre disse:

“Depois de cada tempestade,

volta a resplandescer o sol!”

Uma estrela

que nos ilumina,

essa foi a sua vida.

Meu amigo,

você tinha sempre

um sorriso para dar de presente

a cada um, até aos pequeninos.

Com a tua calma

infundia

confiança

e coragem.

você fazia

sempre grandes planos,

com decisão e ardor

você superou muitas situações

sem nunca se render,

essa foi a tua vida.

Toda manhã quando me levanto me coloco de acordo com ele para começar juntos o dia.

Agora quando tenho um problema, penso em Clement. Me pergunto o que ele teria feito, e isso me ajuda a resolver o problema.

Até mesmo agora, nos momentos difíceis, falo com ele e peço para ele me dar a força para continuar.

A alguns meses Clement me escreveu uma carta para me dizer que queria estar sempre perto de mim. Agora sinto sempre a sua presença, mesmo se ele não está mais aqui.

Estou realmente feliz de sentir sempre a sua presençae e de saber que o Paraíso está ainda mais próximo graças a ele.

Coloquei uma foto de Clement ao lado da minha cama e toda a noite olho para ela e me pergunto se realmente amei durante todo o dia.

Clement é para mim como uma segunda consciência.

As vezes me pergunto: “E agora o que eu faço?” Então penso nele, e sei o que ele faria no meu lugar: simplismente amar.


Meu amigo,

você era tão forte,

nós olhamos para você, aí em cima,

como um exemplo.

aquele que você

nos deixou,

porque você o viveu,

é a unidade.

E isso

é aquilo que fica,

nós queremos ser fiéis a isso

e viver em unidade

com você

e entre nós:

você nos faz viver.

REF.: Você, Clement, estava

lá, presente para cada um,

a tua vida era

plena do “dar”;

Você sempre esperou

e doou consolação;

Chorou

e sorriu;

acreditou,

amou,

isso foi a sua vida.


Anselmo Carvalho <carvalho.anselmo@gmail.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário