quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Um novo olhar

No mês passado, a convite de uma amiga, visitei com ela a Bienal de Arte de Veneza. Comentando depois os que vimos, constatamos que boa parte da seleção das obras ali expostas tinham uma questão comum: a solidão do homem.
Outro amigo meu, psicanalista, afirma que nossa sociedade urbana contemporânea é cheia de pessoas narcisistas, incapazes de olhar o outro ou de reconhecer o outro como alguém que não é uma projeção de si mesmo. Problema com o qual depara com frequência em seu consultório.
Críticos da pós-modernidade, como Lyotard, Morin e Bauman, para citar os mais famosos, não cansam de apontar o esgarçamento do tecido social como uma das tantas crises da atualidade.
Num recente documento da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a CNBB, num capítulo dedicado à análise de conjuntura, enumeram-se algumas características dos tempos que correm: “o laicismo militante, […] a irracionalidade da chamada cultura midiática; o amoralismo generalizado; as atitudes de desrespeito diante do povo; um projeto de nação que nem sempre considera adequadamente os anseios deste mesmo povo. Os critérios que regem as leis do mercado, do lucro e dos bens materiais regulam também as relações humanas, familiares e sociais, incluindo certas atitudes religiosas. Crescem as propostas de felicidade, realização e sucesso pessoal, em detrimento do bem comum e da solidariedade. Não raras vezes, o individualismo desconsidera as atitudes altruístas, solidárias e fraternas. Por vezes, os pobres são considerados supérfluos e descartáveis. Desta forma, ficam comprometidos o equilíbrio entre os povos e nações, a preservação da natureza, o acesso à terra para trabalho e renda, entre outros fatores. É preciso pensar na função do Estado, na redescoberta de valores éticos, para a superação da corrupção, da violência, do narcotráfico, bem como o tráfico de pessoas e armamentos. A consciência de concidadania está comprometida.”
Mas creio que cada um de nós é capaz de elaborar com competência uma lista de exemplos da crise das relações humanas – no ambiente familiar, na escola, no ambiente corporativo, na esfera política e por aí vai.
No entanto, outro olhar é possível - e fica para amanhã...

Klaus Brüschke - Editor da Revista Cidade Nova

Nenhum comentário:

Postar um comentário