segunda-feira, 21 de novembro de 2011

ONDE O SOL JAMAIS CONHECE OCASO

Todo dia passa e aqui logo anoitece.

Senhor, aceita a minha vida, todos os momentos que ainda tenho pela frente, antes que chegue a hora.

Não sei o que é, mas uma sensação de insatisfação amargura às vezes o meu instante. Talvez porque eu devesse ser toda arrebatada por ti, ate a última raiz que me mantém presa não sei ainda a quê, mas que não está totalmente perdida em ti.

Este viver que é um viajar, este assentar-se ilusório na ordem que a vida promete por um instante e para o qual inadvertidamente se ten­de e que, tão-logo alcançado, já ameaça virar tédio, talvez seja a vida. Também Tu, até os trinta anos, embora cumprindo perfeitamente teus deveres de cada dia, olhavas mais longe, para a missão que te aguardava. E, quando saíste, foram uma corrida só aqueles três brevíssimos anos.

E Tu os passaste nas estradas reunindo discípulos, socorrendo doentes, semeando a palavra, encantando o povo. Era o movimento acelerado da Sabedoria que, crescendo em idade, edificava o Reino de Deus com celeridade crescente.

Chegaste ao patíbulo quase sem perceber. Atravessaste a passagem em, poucas horas, entregando a Deus, por nós, o corpo e a alma.

Talvez esta incapacidade de capturar o presente que escapa, e o reencontrarmo-nos sempre à noite sejam uma gota da tua vida em nós, aqui na terra.

Gratos, Jesus, pela vida. Prepara-nos para morrer e mantém-nos contigo lá onde o Sol jamais conhece ocaso.

Chiara Lubich

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