sexta-feira, 19 de abril de 2013

Assim nasce a democracia

Igino Giordani

Política é feita para o povo e não o povo para a política.

Ela é um meio, não um fim.

Antes a moral, o homem, a coletividade, depois o partido, o programa partidário, as teorias de governo.

A política é – no mais digno sentido cristão – uma serva, e não deve tornar-se senhora: abusiva, dominadora, dogmática. Nisto reside a sua função e a sua dignidade: ser serviço social, caridade em ação, primeiraexpressão da caridade pátria.

Aos jornais chega o difundido sentimento de desprezo pelos partidos e pela política. Nós também sabemos algo sobre isso, ouvindo o que nos falam e lendo o que nos escrevem. Muitos acham que a política é uma atividade inferior e equívoca,

que deve ser relegada aos lobistas. E não entendem que, quando as pessoas honestas se afastam dela, o seu campo é invadido pelas desonestas.

A política carrega atrás de si toda a nossa vida, física e moral. Uma política feita por desonestos leva à guerra, à instabilidade financeira, à ruina da riqueza pública e privada, à imoralidade, ao desprezo pela religião, à destruição das famílias…

Em síntese, se a política é suja, devemos limpá-la, não desertar dela.

O centro da reforma ou da revolução é o homem. Dele partem o bem e o mal.

Na democracia, mais do que em qualquer outro regime, o homem é, em certo sentido, gênese do regime. Vive nele não como receptáculo, mas como soldado; não “como objeto e elemento passivo da vida social”, mas como “sujeito, fundamento e fim”.

(…) Um cidadão com essa consciência está na sociedade como o fiel está na Igreja: com uma função individual e social, livremente em comunhão com os outros e não mergulhado na massa de modo amorfo, como numa lama disforme, movida por quem reina com manipulações, que podem ser instrumentos de guerra ou outras loucuras. Assim como na religião [a pessoa] forma a Igreja, na política ela forma o povo – povo e não massa.

Não existe povo soberano se o cidadão for servo. O povo é soberano quando se reconhece a cada um de seus componentes um princípio de soberania, ou melhor, quando cada um faz valer na comunidade os direitos pessoais, dos quais a soberania deriva.

Não é o cidadão quem adquire valor a partir da nação, mas é a nação que adquire valor a partir dos cidadãos. Não vem antes a política e depois o direito dos indivíduos, mas a política deve tutelar o direito dos indivíduos na comunidade.

Devemos estar na política como cidadãos e não como servos. Dessa posição nasce a democracia.

Essa consciência do próprio valor poderia se transformar em soberba e tornar-se um estímulo antissocial de exploração e domínio: poderia inverter a direção. É por isso que entre esses valores deve inserir-se, antes de tudo, a caridade, que é o serviço aos próprios irmãos.

Sem ela, todo valor se desvaloriza, toda conquista torna-se servidão, e perdemos tempo.

Um comentário:

  1. Que desafio Igino Giordani nos propõe! Ele diz isso e muito mais com autoridade, pois viveu sua experiência política como cristão e junto com outros políticos do mesmo calibre, deram uma contribuição monumental ao desenvolvimento da Itália, no pós guerra. Relembro que além de tudo que ele diz no texto acima, ele nos recorda também que para se realizar alguma coisa na Política é necessário que haja um grupo de pessoas unidas como uma rocha de granito. No nosso contexto brasileiro, felizmente sei que tem um grupo de pessoas que trabalham para que isso aconteça, através da Escola Cívitas. Cabe a nós apoiar tal iniciativa.
    Olavo de Almeida Freitas

    ResponderExcluir