sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Semana da Família



Kioche e Satiko são do movimento de Famílias novas


Famílias novas
O Movimento Famílias Novas, um ramo do Movimento dos Focolares, surgiu em 1967. É composto por famílias que se propõem viver a espiritualidade da unidade e irradiar no mundo da família os valores que promovem a fraternidade universal.
Desenvolve atividades formativas para a família e de acompanhamento para noivos; tem uma atenção especial para casais em crise, viúvos, separados e casais em situação irregular; empenha-se na promoção de uma cultura da família e de adequadas políticas familiares, por meio de encontros e publicações, e colaborando com diversas agências educativas.
O seu estilo de vida enraíza-se no Evangelho vivido na vida de casal, no crescimento dos filhos, colocando-se num diálogo construtivo com outras famílias e, ao mesmo tempo, com as diversas realidades culturais, civis e eclesiais do território.
Desde o início – com a preciosa contribuição de Igino Giordani, escritor e político italiano, e primeiro focolarino casado – Chiara Lubich sempre ressaltou, com força, a beleza do desígnio de Deus sobre o matrimônio, salientando a importância da função educativa dos pais e a ação social da própria família. “Creio que o carisma da unidade, enxertado na instituição sagrada do matrimônio, realize uma obra-prima da qual é difícil aperceber-se”, comentou Chiara em uma palestra em 1974.
Por isso sempre estimulou Famílias Novas a centralizar o compromisso dos dois esposos a amarem-se mutuamente, e a dirigir-se às famílias em dificuldade, divididas, a pessoas em estado de viuvez, às crianças abandonadas e a todas as situações de marginalidade.
No histórico discurso de fundação de Famílias Novas, em 19 de julho de 1967, deu-lhes um mandato: “Aqui, diante de vocês, parece-me ver Jesus que olha para o mundo, vê as multidões e tem piedade. Porque a parte de mundo que foi colocada sobre as costas de vocês é a mais dilacerada, a mais semelhante a Ele abandonado. Porém, através dos nossos olhos, é o mesmo Jesus que deve olhar para essas multidões e agir, para que esta piedade não fique no plano sentimental, mas se transforme em obras”.
Com o passar do tempo surgiram associações que atuam pelo bem da família, através de atividades de caráter cultural, espiritual e material, em diversos países do mundo, entre elas:
Ação por Famílias Novas (AFN), opera na Itália desde 1998, segundo três direções:
Iniciativas culturais e formativas para as famílias e sobre a família.
Cooperação ao desenvolvimento: inclusive através do sustento à distância para famílias e menores em graves dificuldades financeiras, com projetos ativos em 53 países.
Adoções internacionais: desde 2001 a AFN opera como entidade autorizada pela Comissão das Adoções Internacionais da Presidência do Conselho dos Ministros, da Itália, em colaboração com mais seis países.
Escola Loreto Estabelecida em Loppiano (Florença-Itália) desde 1982, organiza cursos residenciais para todo o núcleo familiar, nos quais são aprofundadas diversas temáticas familiares sob a luz da espiritualidade da unidade. Retornando aos seus países, as famílias que a frequentam tornam-se referência para outras famílias. Já participaram da Escola Loreto 1.500 famílias, de todos os continentes.
Etapas importantes do Movimento Famílias Novas foram os “Familyfest”, encontros internacionais que reuniram periodicamente, em Roma, milhares de famílias, que puderam compartilhar experiências e projetos.

“Hoje a família necessita de uma forte injeção de amor”, recordou Chiara Lubich às 22 mil pessoas presentes no primeiro Familyfest, em 1981. E acrescentou: “O nosso Movimento deseja revitalizar o amor que está implícito em cada família, com aquele amor que é puro dom de Deus”.
Durante o Family Fest 1993, Chiara falou da família como “uma semente de comunhão para a humanidade do terceiro milênio”, desejando que “seus valores conaturais – a gratuidade, o espírito de serviço, a reciprocidade – possam ser transferidos a toda a família humana”.
A mensagem de viver e testemunhar o amor mútuo na família “para que se aproxime a hora na qual, sobre a terra, todos serão uma coisa só”, dirigida por ela ao Familyfest 2005, chegou a outros sete dos 145 eventos realizados simultaneamente pelo mundo, em conexão via satélite diretamente da Praça do Capitólio, em Roma.
Aos 40 anos da fundação, vendo o desenvolvimento e os frutos de Famílias Novas, Chiara salientou: “O desígnio ousado, estupendo e exigente da primeira célula da sociedade. De fato, esta tem uma importância enorme na construção de um mundo de paz (…). Vocês existem para serem testemunhas de unidade, de amor duradouro, de Evangelho vivido. Assim não apenas viverão na alegria, mas continuarão a atrair muitos corações ao amor, até realizar, com todo o Movimento dos Focolares, a fraternidade universal”. (03 de novembro de 2007).
Atualmente são 800 mil as Famílias Novas no mundo inteiro.


Um flash: a história de uma família


Adriana e Salvatore, casados há trinta e cinco anos, três filhos, narram alguns períodos da vida pessoal e de casal, traçando uma trajetória feita de experiências que se revelaram “sinais do amor de Deus”.


Salvatore não tinha ainda quatorze anos, mas, lembra-se perfeitamente “como se fosse ontem, do meu encontro com Jesus. Naquela ocasião eu conhecera o focolare, onde moravam homens realizados, capazes de fascinar um jovem. Eu me sentia atraído, também o meu irmão, e toda e qualquer desculpa era boa para irmos a casa deles. Era a presença de Jesus entre eles que me atraía. Uma das consequencias daquele período? O desejo de encontrar-me com Jesus Eucaristia todos os dias”.
Aos vinte anos Salvatore apaixonou-se por Adriana. Ele conta: “Decidi declarar o meu sentimento na certeza de ser correspondido. E, ao contrário… isto não aconteceu e, foi muito difícil! Eu não conseguia imaginar o meu futuro senão partilhando a minha vida com ela. A tentação era de fechar-me dentro de mim mesmo. Mas, eu aprendera a não deter-me nas dificuldades, mas, a ter uma visão e o coração sempre aberto e continuei a viver desta forma. Depois de alguns anos eu tinha a Adriana ao meu lado e, com ela, começou a aventura da nossa vida”.
Alguns anos depois do casamento, com três filhos já adolescentes, Adriana e Salvatore tinham a vida cheia de compromissos com a família, o trabalho e o serviço voluntário. E, especialmente para Adriana, iniciou um período de grande desconforto. “Aos poucos, sutilmente, cresceu em mim uma espécie de aridez, caracterizada por uma profunda perda de estima por mim mesma. Cheguei até a experimentar a amarga sensação da perda de afetos a ponto de, em alguns momentos, não desejar mais continuar vivendo. Mas, tudo ao meu redor, me solicitava seguir em frente: o trabalho, horas de trabalho em um guichê diante uma fila sempre enorme e, todavia, procurando amar cada pessoa e, depois, em casa, cozinhar, fazer faxina, acolher e fazer companhia aos filhos. A relação com Deus, aos poucos, reduziu-se a um minúsculo ponto luminoso, sempre mais distante. Um dia tomei consciência desta ausência de Deus em mim e senti um medo enorme que me abalou profundamente. Eu o implorei de manifestar-se: foi quase um desafio proposto da minha parte! E eu o reencontrei, Amor sempre fiel, em um relacionamento mais íntimo, procurado e nutrido durante as caminhadas que comecei a fazer naquele período, de manhã bem cedo, e que contribuíram para que eu reencontrasse o equilíbrio interior”.
E com os filhos? Experimenta-se o desapego. Salvatore narra a sua experiência vivida com o filho mais velho. “Desde muito novo ele alimentou o desejo de ser músico. Aprendeu a tocar violão e, mesmo não querendo, nunca, estudar no conservatório, ele não mediu esforços e frequentou na nossa cidade, Nápoles, os ambientes dos artistas. Quando completou vinte anos, tocava com músicos já afirmados. Mas, ele não tinha muitas perspectivas e, aos vinte e quatro anos, deu uma guinada na própria vida: decidiu que ia morar em Londres. Tal decisão foi para mim uma ducha gelada! Ele, que não sabia uma palavra sequer em inglês ia para uma cidade enorme, que ele não conhece, sem saber onde hospedar-se e como ganhar a vida. No dia da viagem eu o acompanhei ao aeroporto e, no setor de embarque, o acompanhei com o olhar até quando o perdi de vista. Com o coração dilacerado e descompassado eu experimentei sensações contrastantes: temor pela sua vida, sofrimento pela separação, consciência do dever de respeitar as escolhas dele. E, olhando o avião que decolava, pareceu-me contemplar que Deus me pedia para viver o seguinte: deixe, agora, a carne da sua carne, que se separe de você e levante vôo. Desde sempre, antes que fosse o seu filho, ele é meu filho: você acha que não me ocuparei, Eu, do bem para ele?”
Atualmente ele mora estavelmente em Londres e afirmou-se como músico. Há dois anos fomos visitá-lo e tivemos a oportunidade de assistir, no teatro considerado o templo da dança moderna, com mais de dois mil expectadores, um show da companhia que ele faz parte e com a qual já fez uma tournée em várias partes do mundo”.
E hoje, o que estamos vivendo? Eles mesmos se perguntam. “Uma nova liberdade, também pela escolha de deixar a nossa cidade e transferirmos em outra, a serviço do Movimento dos Focolares no mundo”.

Amazônia: ambientalistas de coração


18 Junho 2015
Diante do problema do desmatamento, Raimundo e Edilena conseguiram criar, com outras famílias, no coração da floresta amazônica, uma área de preservação da biodiversidade local. Em sintonia com a encíclica Laudato Si.
Raimundo é cabelereiro. Edilena é esteticista e funcionária pública. Interessar-se pelo meio ambiente não é exatamente o foco de competência deles. Mas diante da invasão ambiental e cultural de que foram vítimas, e junto com outras famílias com as quais compartilham os ideais cristãos, começaram a colocar-se algumas questões. Qual herança queremos deixar aos nossos filhos? Como manifestar o nosso ponto de vista a uma sociedade que parece não perceber os perigos dessa degradação? Como caminhar contra a corrente?
Casados há 29 anos, com três filhos e três netos, moram em Abaetetuba (Pará, Brasil), uma ilha que comporta também os municípios de Igarapé-Miri, Moju e Barcarena, cidades famosas na década de 1980, quando tornaram-se sede de indústrias e mineradoras. Muitas famílias deixaram os campos para trabalhar nas multinacionais, acomodando-se sem critério nas periferias e alimentando novas levas de pobreza, na ilusão de um bem-estar que nunca alcançaram.
O impacto dessas indústrias sobre o ambiente foi, no mínimo, devastador. Teve início o corte indiscriminado dos açaizeiros para a extração do palmito destinado à exportação, privando assim as famílias de um item essencial para a sua nutrição. Os resíduos industriais jogados nos rios causaram uma diminuição visível de peixes e mariscos e a poluição atmosférica reduziu drasticamente a produção de fruta.
Tudo isso numa escala local. Mas os efeitos do desmatamento se repercutem também em nível mundial. Na Amazônia tudo é “mega”: a extensão (mais de 50% de todo o Brasil), a biodiversidade, a floresta e seu volume de água doce. Mas com o desmatamento em ato todos esses recursos preciosos correm o risco de perder a sua eficácia.
Não era fácil entender o que fazer. Mas Raimundo e Edilena contavam com um elemento que faria a diferença: a unidade com outras famílias e a força de deixar-se conduzir por Deus em suas escolhas.
Tomaram juntos a decisão de transformar, com recursos próprios, uma área de pasto de 34 hectares, em um pomar. Ao escolher as árvores buscaram as variedades típicas da região com maiores riscos de extinção, algumas que os mais jovens já nem conheciam. Trabalharam arduamente, mas com grande entusiasmo, e criaram assim, em Abaetetuba, uma área de preservação da biodiversidade local.
Hoje o pomar produz frutos comestíveis de 166 espécies nativas e de duas espécies africanas, compondo uma coleção única no seu gênero, uma riqueza florestal que apresenta-se como uma alternativa à futura sustentabilidade da região.
A área – denominada Radini em homenagem a seus três filhos, Raisa, Radi e Raoni – recebe frequentes visitas de ambientalistas e pesquisadores de fama mundial, de artistas, cantores, atores, e até de bispos, de gente comum e principalmente de jovens. No local existem espaços para aulas teóricas e práticas, com distribuição de material de divulgação sobre a biodiversidade e a conservação do ambiente.
Após ter recebido prêmios e reconhecimentos – significativo o de 2012, por parte do Museu Emilio Goeldi, de Belém (PA) – o sítio começa a ser divulgado em jornais e revistas da região. Edilena e Raimundo surpreendem-se sempre ao constatar o interesse de tantas pessoas e em ver como o exemplo deles impulsiona muitos a tornarem-se, como eles mesmos se definem, “ambientalistas de coração”.

Ser sempre uma família

Quando Gis esteve comigo e me perguntou se eu teria algo a dizer, escrevi: «Ser sempre uma família».
Creio que o mês de outubro foi a ocasião especial para criar essa família entre os responsáveis do Movimento no coração da Obra. Jesus no nosso meio vivido, construído e reconstruído, ampliado devido às experiências contadas pelas várias regiões, alimentado pelo co-interesse entre os Centros e a periferia, pela comunhão pessoal, pela sabedoria, é a realidade basilar da nossa família.
Se uma vez eu disse que o amor de uma mãe (sem limites, desinteressado, que perdoa sempre, que tudo espera...) é o mais parecido com o amor divino, se o amor de um pai é aquele em que nos podemos apoiar, que nos dá segurança, se o amor fraterno dá coragem e ideais comuns para enfrentar a vida, o nosso "amor recíproco" deve conter todos esses sabores!
Voltando para o mundo, nunca percamos a noção de que fazemos  parte de uma maravilhosa família unida pelo Espírito Santo!
Vamos protegê-la na sua intimidade, comunicando as alegrias e as dores dos seus componentes, como acontece em cada família. Mantenhamos vivo o objetivo pelo qual Deus fez nascer a nossa Família, a Obra: testemunhar a unidade.
É uma unidade como aquela da Santíssima Trindade, a que Jesus pediu ao Pai (cf. Jo 17, 21). Que divino e excelso objetivo!
Ou, transferida aqui na Terra, trata-se de uma unidade como aquela da família de Nazaré!
Anos atrás lembro que pedi a Maria que formasse para si, na Terra, uma «família de filhos e filhas iguais a Ela».
Com comoção e gratidão a Deus vemos hoje a Obra de Maria, reconhecida na Igreja como «uma presença de Maria e uma sua continuação na Terra» (cf. Estatutos Gerais art. 2).
Portanto, essa família tornou-se realidade: é a família de Maria.

Chiara


Palavra de Deus para este dia 14-8-2015 – Sexta-feira.
Mateus 19,3-12 – “É PERMITIDO AO HOMEM DESPEDIR SUA ESPOSA POR QUALQUER MOTIVO?”.
Não! Não é permitido! Exatamente porque com pessoas não se brinca em seus sentimentos. Pode ser que existam motivos muito grandes, especialmente quando se faltam com o respeito, quando há ofensas, traições, mentiras, falsidades, mas jamais deveria haver separações entre casais, porque o amor simplesmente acabou!
Ora, o amor não acaba com o tempo.
Jesus veio restabelecer a ordem da criação deturpada pelo pecado. Ele mesmo dá a força e a graça para viver o casamento na nova dimensão do reino de Deus.
Infelizmente a realidade é nua e crua. Separações continuam acontecendo todos os dias e por motivos banais. Há muita ilusão nessa área.
Que triste! Quanta ferida e mágoa ficam como consequência disso tudo.
Depois de uma vida juntos, depois de terem conquistados tantas coisas juntos, vem a chaga da separação. Se formos ver bem, no fundo, está o egoísmo, puro egoísmo, porque não se há casamento para ser feliz somente, mas também e, principalmente, para fazer o outro feliz.
Esta é a semana da família. Vamos rezar pela família e valorizar a sua família. Ela não é a mais santa, mas também e, graças a Deus, não é a mais pecadora de todas. É a sua. É ali que você é chamado a sorrir e a chorar; a fazer sorrir e aprender a enxugar as lágrimas.
Sagrada Família de Nazaré, interceda pela minha família. Amém.
(Pe. Mauro Zandoná, SdP).

Sempre unido com vocês na Eucaristia
          
               Gué