sábado, 1 de dezembro de 2012

Palavra de Vida – Dezembro de 2012

 
“Mas a todos que o receberam deu o poder de se tornarem filhos de Deus.” (Jo 1,12)
“Abbá, Pai!” (Mc 14,36; Rm 8,15), “papai, paizinho meu”, nosso, com tudo o que ela representa, ou seja:
certeza da sua proteção, segurança, abandono ao seu amor, consolações divinas, força, ardor; ardor que brota no coração de quem tem a certeza de ser amado.
 
Neste mês, no qual recordamos de maneira especial o nascimento de Jesus aqui na terra, procuremos acolher-nos mutuamente, reconhecendo e servindo o próprio Cristo uns nos outros.
Então também entre nós e o Pai se estabelecerá uma reciprocidade de amor, de conhecimento de vida como aquela que une o Filho ao Pai no Espírito Santo, e sentiremos a todo momento brotar dos nossos lábios a invocação de Jesus: “Abbá, Pai”.
Chiara Lubich

PdV Dez2012.pdfPdV Dez2012.pdf
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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Ontem (22 de agosto de 2012) a noite, dia de Nossa Senhora Rainha, partiu a nossa Araceli.
A missa de corpo presente será às 15:00 e o sepultamento às 16:00 horas na Mariápolis Ginetta.
Vamos agradecer a Deus por sua existência no meio de nós.

"Vai formosa e bela"
Foto


terça-feira, 21 de agosto de 2012

Crise de relacionamento é mais grave do que a econômica

Terça-feira, 21 de agosto de 2012, 15h54

Agência Ecclesia


Site do Movimento
Maria Voce durante visita a Cidadela Arco-Íris em Portugal
“A humanidade vive uma crise que não é tanto política, econômica, financeira, mas de relação e relacionamento”, afirmou a presidente do Movimento dos Focolares, Maria Voce, que visita Portugal pela primeira vez.

A visita, iniciada na quarta-feira, 15, acontece no seguimento da comemoração do 15º aniversário da fundação do centro de atividades do movimento em Portugal, a ‘Cidadela Arco-Íris’, situada no Concelho de Alenquer, a cerca de 45 km de Lisboa. Maria Voce permanece no país até amanhã.

Diante dessa crise da humanidade, a responsável assume como prioridade do Movimento dos Focolares a necessidade de “curar” os relacionamentos entre “pessoas, grupos, Estados” na sociedade atual.

Para a presidente, a atual crise pode levar as pessoas a “olharem mais para as necessidades dos outros, a serem mais solidárias”, embora a situação não seja “positiva”, em si própria.

Maria Voce, que integra o Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização, da Santa Sé, sublinha a importância de “caminhar em conjunto” com as pessoas de hoje, incluindo as de outras religiões, para “descobrir os dons que existem nas outras realidades”.

“Aquilo que é pedido à Igreja é que seja todo o Povo de Deus a anunciar Cristo ao mundo”, acrescentou, antes de recordar que cada vez menos pessoas entram nas igrejas. [As pessoas] “estão no trabalho, na rua, mas com a mesma sede, a mesma necessidade de Deus”, disse.

Em relação ao Ano da Fé, que a Igreja Católica vai viver entre outubro de 2012 e novembro de 2013, a presidente do MF diz que é uma oportunidade para redescobrir “o valor do Transcendente, a paternidade de Deus”.


Maria Voce

Nascida em Ajello Calabro, na região italiana de Cosenza, a 16 de julho de 1937, Maria Voce assumiu a liderança dos Focolares em 2008, sucedendo a Chiara Lubich, que faleceu em março daquele ano.

A italiana admite que a sua missão implica uma “grande responsabilidade”, mas sublinha que o carisma dos Focolares é de “comunhão”, pelo que existe uma partilha desse encargo.

Fundado em 1943, na cidade italiana de Trento, o Movimento dos Focolares assumiu-se inicialmente como uma força de renovação espiritual e social no contexto da II Guerra Mundial.

Maria Voce mostra-se “felicíssima” com a situação do MF em Portugal, que apresenta como “uma pequena semente que pode dar fruto”.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Há alguns dias postei um e-mail e falando pessoalmente com algumas pessoas sobre a saúde do João Tadeu 60 anos(completado no ultimo dia 23 Julho) – voluntário de Ribeirão Preto – que vinha lutando contra um cancer a mais de 2 anos, na ultima semana a situação se agravou ele foi internado na quarta-feira e na sexta-feira cumpriu sua missão aqui na terra. Nós voluntarios, a família, a comunidade de Ribeirão Preto e a Obra em SP agradecemos as orações e unidade construída durante todo esse período, na certeza de que o João Tadeu se encontra no paraíso – e agora intercendo pelos nossos pedidos – porque como ele sempre nos dizia nessa fase final da sua caminhada que tirando o exemplo de Chiara Luce, vivia cada “milionésimo” de segundo fazendo somente a Vontade de Deus. Ele depois de descobrir o Ideal e fazer dessa descoberta também do seu ideal de vida, juntamente com a esposa que também é voluntaria, foram os braços da Obra para todos os setores na região.
Exiba Ultima Foto do João.jpg na apresentação de slides

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Festa da Assunção de Maria

«Caríssimos, que vieram à Budapeste para celebrar o 40º aniversário do nascimento dos “voluntários”, que a todos chegue a minha mais cordial saudação.
Não foi por acaso que vocês escolheram como sede deste importante congresso, Budapeste, a capital da Hungria, país de onde partiu a primeira centelha dessa realidade — uma das mais viçosas ramificações do Movimento dos Focolares — que logo haveria de alastrar-se na Itália, na Europa e no mundo inteiro.
Foi a nossa resposta àquele anseio de liberdade, domado no sangue de quem queria arrancar Deus da
sociedade e do coração dos homens.
Foi também o nosso eco ao apelo aflito que o papa Pio XII lançou ao mundo naquela ocasião: “Deus! Esse nome, fonte de todo direito, de toda justiça, de toda liberdade, ressoe nos parlamentos, nas praças, nas casas e nas oficinas…”
Foi então que homens e mulheres de todas as idades, nacionalidades, raças e condições diferentes, ligados pelo vínculo do amor mútuo, uniram-se para formar um exército de voluntários: “os voluntários de Deus”.
A história vocês conhecem ou será contada nesses dias. Talvez haja entre vocês quem viveu “aquela história” em primeira pessoa. “Voluntários”, a vocação de vocês é esplêndida!

A exemplo dos primeiros cristãos, vocês, por amor, de livres que são, tornaram-se escravos de Jesus, que espera o testemunho de vocês no mundo, justamente onde Ele não é conhecido ou não é amado.
Vocês são “voluntários de Deus”, portanto, nada lhes é impossível, porque Ele está com vocês. Aproveitem desta circunstância para pedir a Ele e a vocês grandes coisas. Peçam a Ele que, com a vida de vocês, possam continuar a desencadear a revolução do Evangelho, que o mundo espera, fundamentada no amor.
E não encarem a vocação de vocês apenas como alguma coisa espiritual e intimista.
A Espiritualidade da Unidade já abre vocês para os irmãos! Mas vocês são chamados a inserir nas estruturas da sociedade, ao seu redor, o fermento divino que pode transformá-la em humanidade nova em seus diversos mundos, no mundo familiar e eclesial.
Quem não estiver impedido pela idade ou por outros motivos, lance-se, portanto, nessa fantástica vocação leiga, confiada exatamente aos leigos. Peçam a Deus que este mundo mude, inclusive por meio de vocês, e não sosseguem enquanto não constatarem nele rebentos duradouros. Todos nós na Obra estamos com vocês nessa festividade, recordando, fazendo propósitos, lançando-nos.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Palavra de Vida


“Todo aquele, pois, que se declarar por mim diante dos homens, também eu me declararei por ele diante do meu Pai que está nos céus. Aquele, porém, que me renegar diante dos homens, também eu o renegarei diante de meu Pai que está nos céus”. (Mt 10,32-33)

Essas palavras são muito confortantes e encorajadoras para todos nós cristãos. Com elas, Jesus nos exorta a viver coerentemente a nossa fé Nele, já que o nosso destino eterno depende da atitude que tivermos assumido em relação a Ele durante a nossa existência terrena. Se nos tivermos declarado por Ele, ou seja, se o tivermos testemunhado diante dos homens – diz Ele – lhe daremos motivo para que Ele nos testemunhe diante de seu Pai; se, pelo contrário, o tivermos renegado diante dos homens, também Ele nos renegará diante do Pai.

“Todo aquele, pois, que se declarar por mim diante dos homens, eu também me declararei por ele diante do meu Pai que está nos céus. Aquele, porém, que me renegar diante dos homens, também eu o renegarei diante de meu Pai que está nos céus”.

Jesus lembra-nos o prêmio ou o castigo que nos esperam depois dessa vida, porque nos ama. Ele bem sabe – como disse um antigo Padre da Igreja – que às vezes o temor de uma punição é mais eficaz do que uma promessa estimulante. Por isso Ele alimenta em nós a esperança da felicidade sem fim e, ao mesmo tempo, justamente para nos salvar, suscita em nós o temor da condenação.
O que lhe interessa é que cheguemos a viver para sempre com Deus. Além do mais, essa é a única coisa que tem valor: é o objetivo pelo qual fomos chamados à existência. De fato, somente com Jesus atingiremos a completa realização de nós mesmos, a plena satisfação de todas as nossas aspirações. É por isso que Ele nos exorta a “testemunhá-lo” desde já, aqui na terra. Se, pelo contrário, não quisermos ter nada a ver com Ele nesta vida, se agora o renegarmos, quando tivermos que passar para a outra vida, nos encontraremos excluídos Dele para sempre. Portanto Jesus, ao término de nossa caminhada terrena, não fará outra coisa senão confirmar, diante do Pai, a escolha que cada um de nós tiver feito nesta terra , com todas as suas consequências. E ao referir-se ao juízo final Ele nos manifesta toda a importância e seriedade da decisão que tomamos aqui na terra; com efeito, está em jogo a nossa eternidade.

“Todo aquele, pois, que se declarar por mim diante dos homens, eu também me declararei por ele diante do meu Pai que está nos céus. Aquele, porém, que me renegar diante dos homens, também eu o renegarei diante de meu Pai que está nos céus”.

Então, como podemos tirar proveito dessa advertência de Jesus? Como podemos viver essas suas Palavras? É Ele mesmo que responde: “Todo aquele que se declarar por mim…” Portanto, decidamo-nos por Ele diante dos homens com simplicidade e franqueza. Vamos vencer o respeito humano! Vamos sair da mediocridade e das concessões, coisas que tiram toda a autenticidade da nossa vida, inclusive como cristãos! Lembremo-nos de que somos chamados a ser testemunhas de Cristo: Ele quer chegar a todos os homens, justamente através de nós, com a sua mensagem de paz, de justiça, de amor.

Vamos testemunhá-lo onde quer que nos encontremos: por motivos de família, de trabalho, de amizade, de estudo, ou devido às diversas circunstâncias da vida. Demos esse testemunho primeiro com o nosso comportamento: com uma vida honesta, com a pureza dos costumes, sendo desprendidos do dinheiro, participando das alegrias e dos sofrimentos dos outros. De modo especial, testemunhemo-lo com o nosso amor mútuo, com a nossa unidade, de modo que a paz e a alegria, prometidas por Jesus a quem está unido a Ele, possam inundar o nosso ser já desde esta terra, transbordando sobre os outros. E quando alguém nos perguntar por que nos comportamos dessa forma, por que somos tão serenos, embora vivendo num mundo tão atribulado, respondamos simplesmente, com humildade e sinceridade, com as palavras que o Espírito Santo nos sugerir, dando assim testemunho de Cristo também com a palavra, inclusive no plano intelectual. Então, quem sabe, muitos daqueles que o procuram poderão encontrá-lo. Em outras ocasiões poderemos ser mal interpretados, contestados; poderemos nos tornar objeto de zombaria, até mesmo de aversão e de perseguição. Também quanto a isso Jesus nos avisou, dizendo: “Se me perseguiram, perseguirão a vós também” (Jo 15,20). Também esse é um sinal de que estamos no caminho certo. Por isso continuemos testemunhando-o com coragem, também em meio às provações, mesmo a custo da nossa vida. A meta que nos espera vale isto: o Céu, onde Jesus, que nós amamos, nos testemunhará diante de seu Pai, por toda a eternidade.


Esta Palavra de Vida foi publicada originalmente em julho de 1984

quarta-feira, 18 de julho de 2012

VIVER SEMPRE

           Quando a gente se encontra inesperadamente diante de uma desgraça, ouve ressoar as palavras da Escritura: “Tudo é vaidade das vaidades”.

Sim, tudo passa.

Passam as criaturas, passa a saúde, passa a beleza, passam as coisas... só permanece Deus.

É a hora de escolhê-lo novamente como o único ideal da vida.

E, em conseqüência, viver é como Ele deseja.

Amar.

Amando-o, entenderemos muitas coisas e veremos o fio de ouro da nossa vida — que nos pareceu interrompido por aquele brusco acontecimento — continuar luminoso como e mais do que antes.

Porque a vida pode sofrer interrupções, mas a Vida-Deus vive sempre, assim como também aqueles que nela inseriram e reinseriram sua própria vida.



Chiara Lubich

sexta-feira, 15 de junho de 2012

ACENDE‑SE UMA CÉLULA VIVA



   Se olharmos ao nosso redor, certas cidades por onde passamos, ficamos desanimados e temos a impressão de que seja impossível edificar uma sociedade cristã. 0 mundo, das vaidades, parece dominar...
  E dir‑se‑ia utópica a realização do testamento de Jesus, se não se pensasse nele que também viu um mundo semelhante a este e no fim de sua vida, pareceu ter sido derrotado, vencido pelo mal.
       Também Ele olhava para toda aquela multidão a quern amava como a si mesmo. Ele, Deus, que a criara; queria oferecer os laços para reuni‑la, como filhos ao Pai, irmão ao irmão.
         Viera para recompor a família e fazer de todos uma SÓ coisa. Todavia, apesar de suas palavras de fogo e verdade ‑ podando a ramagem inútil das vaidades que sepultam o eterno, existente no homem - as pessoas, muitas pessoas, mesmo compreendendo, não queriam entender e permaneciam de olhos fechados porque a alma estava em trevas.
         E isto porque Deus as criara livres. Ele podia vindo do céu à terra redimi‑las todas, apenas com um olhar. Mas, devia deixar para elas ‑ criadas à sua imagem ‑ a alegria da livre conquista.
          Olhava o mundo assim como nós o vemos, mas não duvidava.
      De noite invocava o céu lá de cima e o céu dentro de si a Trindade que é o Ser verdadeiro, o Tudo real, enquanto fora, pelas ruas, caminhava a nulidade que passa.
       É preciso fazer como Ele e não separar‑se do Eterno, do Incriado, que é a raiz da criação, e acreditar na vitória final da luz sobre as trevas. Passar pelo mundo, sem querer deter‑se nele. Olhar o céu que existe também dentro de nós e apegar-se àquilo que tem ser e valor­. Tornar‑se uma só coisa com a Trindade que repousa na alma e a ilumina com eterna luz. Então per­ceberemos que, já de olhos abertos, olhamos o mundo e as coisas; porém não somos mais nós que as olha­mos. É Cristo que olha em nós e percebe que há ce­gos, mudos e paralíticos a serem iluminados, recupera­dos, curados. Cegos da visão de Deus dentro e fora de si; paralíticos ignorando a divina vontade que, do fun­do do próprio coração, os impele ao movimento eterno que é o eterno amor.
         Vemos e descobrimos neles a nossa própria luz, o nosso verdadeiro eu - Cristo: nossa verdadeira realidade neles. E, tendo‑o reencontrado, nos unimos a Ele no irmão. Deste modo iluminamos uma célula do Corpo de Cristo, célula viva, morada de Deus, que tem fogo e luz para comunicar aos outros. E Deus faz de duas pessoas uma só coisa e se coloca como relação entre elas: Jesus no meio.
         Assim o amor circula e espontaneamente leva, como rio impetuoso, tudo o que os dois possuem, os bens espirituais e os bens materiais. Isto é testemunho eficaz e externo do amor unitivo e verdadeiro.
         Mas é preciso ter coragem para não dar muita importância a outros meios, se quisermos fazer reviver um pouco de cristianismo.
         É preciso fazer com que Deus viva dentro de nós, para transbordá‑Lo aos outros como um jorro de vida reanimando os enfraquecidos.
    E mantê‑Lo vivo entre nós, amando‑nos.
      Então, tudo se revoluciona ao nosso redor: política e arte, escola e trabalho, vida particular e divertimen­tos. Tudo. Jesus é o homem perfeito que sintetiza em si todos os homens e toda verdade.
         E quem encontrou este Homem, encontrou a solução para qualquer problema humano e divino.
      Chiara

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Humanidade Nova



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A consciência de que o Evangelho vivido, sob a luz da espiritualidade coletiva proposta por Chiara Lubich, pode dar respostas concretas aos desafios sociais de qualquer lugar e tempo, interpela homens e mulheres de boa vontade a enfrentar com perspicácia e competência os problemas da sociedade de hoje, sanar as chagas e evidenciar as potencialidades de indivíduos e comunidades. Além do mais, na vida do Movimento, a dimensão espiritual jamais esteve desagregada da social, se já em 1943 Chiara mesma sonhava em “resolver o problema social de Trento”, e com suas primeiras companheiras girava pela cidade para curar as feridas materiais e espirituais dos sobreviventes dos bombardeios, para confortar quem ficara sozinho. Numerosas as experiências vividas nesse sentido, sempre com a extraordinária intervenção da Providência. Expressão no campo social do Movimento dos Focolares, o Movimento Humanidade Nova tem como objetivo fazer com que as pessoas, seja em seu compromisso cotidiano seja em ações esporádicas, atuem a revolução evangélica, e que esta possa penetrar nas estruturas, renovando-as e gerando esperança, confiança, positividade. O Movimento Humanidade Nova nasceu em 1968 e tem os seus principais animadores e sustentadores nos voluntários de Deus. São homens e mulheres comprometidos na linha de frente para a atuação das palavras do Evangelho, nos mais variados âmbitos sociais, culturais, econômicos e políticos, para dar respostas concretas aos desafios da sociedade contemporânea. Em 1983, estando já maduro e difundido, o Movimento Humanidade Nova saiu à vida públicacom um evento no Palaeur de Roma, do qual participaram mais de 15 mil pessoas, dos cinco continentes. Apresentando a João Paulo II os frutos do ideal da unidade, na sua ação em campo social, Chiara Lubich descreveu assim os participantes: pessoas que desejam “testemunhar ao mundo que as circunda, com a própria vida e com a evidência dos fatos, a formidável incidência que o Evangelho tem também sobre o aspecto mais terreno da vida, individual e social, isto é, a contribuição que a Palavra de Deus, colocada em prática, é capaz de oferecer para a construção da cidade terrestre”. Fazem parte de Humanidade Nova pessoas de todos os credos e condições, pessoas que querem contribuir para dar uma alma à sociedade contemporânea, concorrendo para a renovação de homens e estruturas. Justamente pelo aporte que o Evangelho dá “à construção da convivência civilrevigorando-a e transformando-a com o espírito da unidade, em todos os seus âmbitos” – como se lê no artigo 4 do Regulamento – as pessoas que dele participam, continua o artigo, reconhecem em todas as chagas e divisões da sociedade o grito de abandono de Jesus, e, confiando na promessa que Ele mesmo fez, “Onde dois ou três estão reunidos em meu nome, eu estou no meio deles”, agem unidos, para responder com o amor ao Seu grito. Almejam suscitar a reciprocidade até chegar à unidade,cooperando com ideias e ações, para renovar relacionamentos, ambientes, estruturas, até influir nos aspectos políticos e legislativos. Consideram o canto do Magnificat a sua “Carta Magna”, e confiam a Maria, Rainha dos Povos, a sua ação.

Humanidade Nova, lê-se no artigo 3, “articula-se em ‘mundos’, que representam o conjunto dos vários âmbitos da vida social, com todas as pessoas envolvidas e as diversas categorias que atuam neles”. Por exemplo, do mundo da saúde fazem parte médicos, enfermeiros, doentes; o mundo da educação inclui professores, serventes, pais, e assim por diante, para todos os outros âmbitos, da política à economia, do direito à arte. Um de seus últimos desenvolvimentos está voltado, de modo mais específico, ao contexto urbano: o Projeto Cidade, com o qual abre-se um caminho de amplo diálogo dentro da sociedade civil, das associações, das diversas formas de voluntariado e das instituições, por meio de iniciativas sociais, culturais, políticas. Um laboratório de fraternidade, dentro do qual é possível descobrir a beleza de pensar e trabalhar juntos por um projeto comum, com a coragem de enfrentar as grandes questões da humanidade, como o respeito da pessoa em todos os seus componentes, da vida e do ambiente, mas também a paz e a justiça, para tornar a comunidade do mundo mais vivível e mais bela.



17 Janeiro 2011
Os “mundos” de Humanidade Nova são os diversos âmbitos da vida social, com todas as pessoas e categorias que neles trabalham. Eles se reuniram num congresso no mês de janeiro.
Rocca di Papa (Itália), centro de encontros “Mondo Migliore”: foi nesse local que se realizou o congresso promovido pelo Movimento Humanidade Nova, dos Focolares, nos dias 8 e 9 de janeiro de 2011. Este momento de encontro foi dedicado aos assim chamados “mundos”.
“O Movimento Humanidade Nova não se articula por categorias, mas sim por ‘mundos’, para os quais convergem aquelas pessoas que trabalham lado a lado cotidianamente”, disse Chiara Lubich em 1983. Portanto, os “mundos” – oito ao todo – representam o conjunto de vários âmbitos da vida social com todas as pessoas que neles trabalham: médicos, enfermeiros, doentes, no “mundo” da saúde; professores, alunos, colaboradores e pais, no “mundo” da escola; empresários, comerciantes, artesãos, sindicalistas e operários, no “mundo” da economia e do trabalho. E ainda poderíamos continuar a enumerá-los.
Participaram do congresso 230 pessoas, sendo a maioria italiana, com representantes da Croácia, Espanha e Portugal. O objetivo do congresso: fazer crescer a consciência de que os “mundos” representam um instrumento privilegiado e eficaz para ir ao encontro da humanidade.
Conseguir olhar as feridas de um âmbito social e reconhecer ao mesmo tempo suas oportunidades, foi um dos trabalhos principais dos congressistas. Isso foi feito por meio de uma comunhão de experiências e de ideias, para colocar-se a serviço das cidades, comunidades, escolas, hospitais, câmaras de vereadores, fábricas, escritórios, bairros… encontrando juntos as melhores respostas aos desafios que a sociedade de hoje é chamada a vencer, tendo sempre diante de si a fraternidade universal.
Além dos momentos de plenário, o trabalho nos grupos foi desenvolvido com afinco, ardor, vivacidade e escuta profunda. Isso permitiu que os participantes não apenas se conhecessem, mas também se encorajassem à medida que escutavam as experiências dos outros.
Constituiu-se assim um trabalho inicial para delinear as “ideias-força” que emergem das várias experiências, situando também algumas prioridades de atuação nos diferentes âmbitos.
É sintomático o comentário de Rosamaria Milisenna, que trabalha no mundo da educação e da cultura, na Sicília: “A beleza desses dias foi descobrir que, vivendo no âmago da sociedade e por ela, nossas aptidões profissionais, e nossas aspirações, podem sugerir uma idéia, uma solução ou uma resposta que aquele pedaço de mundo no qual vivemos espera. E fazemos isso juntos, não

http://www.umanitanuova.org/

sexta-feira, 18 de maio de 2012


 “Vocês não devem, para fazer-se santos, obedecerem ao sininho da superiora ou do superior que chama à oração. Vocês devem obedecer à sirene da fábrica, à campainha da escola... É ali que vocês se santificam, é ali a “noite escura” de vocês... É com as ferramentas do seu ofício que vocês se fazem santos: a caneta para o professor, o cinzel para o escultor, este é o seu crucifixo de missionário, com ele vocês se santificam... Se vocês não clarificam aquele ambiente, se não iluminam aquela escola, aquela outra estrutura, que coisa fazem? Temos alguns irmãozinhos a mais, mas não temos a renovação do mundo  e da sociedade.”

Chiara Lubich

terça-feira, 1 de maio de 2012

Palavra de Vida de Maio de 2012

“Fogo eu vim lançar sobre a terra,
e como gostaria que já estivesse aceso!” (Lc 12,49).

No Antigo Testamento o fogo simboliza a palavra de Deus pronunciada pelo profeta. Mas simboliza também o juízo divino que purifica o seu povo, passando no meio dele.
Assim é a palavra de Jesus: ela constrói, mas ao mesmo tempo destrói tudo aquilo que não tem consistência, aquilo que deve cair, aquilo que é vaidade; e deixa em pé somente a verdade.
João Batista tinha dito a respeito de Jesus: “Ele vos batizará com o Espírito Santo e com o fogo” (Lc 3,16), prenunciando o batismo cristão, inaugurado no dia de Pentecostes com a efusão do Espírito Santo e a aparição das línguas de fogo (cf. At 2,3).
Portanto, é esta a missão de Jesus: lançar o fogo sobre a terra, trazer o Espírito Santo com a sua força renovadora e purificadora.

“Fogo eu vim lançar sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso!”

Jesus nos doa o Espírito. Mas de que modo age o Espírito Santo?
Ele age derramando em nós o amor, aquele amor que, conforme seu desejo, devemos manter aceso em nossos corações.
E como é esse amor?
Não é um amor terreno, limitado; é um amor segundo o Evangelho. É universal como o amor do Pai celeste, que manda a chuva e o sol para todos, para os bons e os maus, inclusive para os inimigos (cf. Mt 5,44-45).
É um amor que não espera nada dos outros, mas que toma sempre a iniciativa, que é o primeiro a amar.
É um amor que “se faz um” com toda e qualquer pessoa: partilha com ela seu sofrimento, sua alegria, suas preocupações, suas esperanças. E faz isso concretamente, com fatos, quando se apresenta a ocasião. Portanto, não é um amor simplesmente sentimental, não é feito só de palavras.
É um amor que nos faz amar Cristo no irmão e na irmã, porque nos faz lembrar aquelas palavras Dele: “... a mim o fizestes” (Mt 25,40).
É, ainda, um amor que tende à reciprocidade, que busca realizar com os outros o amor mútuo.
É este amor que, sendo expressão visível, concreta da nossa vida pautada pelo Evangelho, reforça e confirma nossa palavra que, depois, poderemos e deveremos oferecer para evangelizar.

“Fogo eu vim lançar sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso!”

O amor é como o fogo: o importante é que permaneça aceso. E, para que isso aconteça, é preciso sempre queimar alguma coisa. A começar pelo nosso “eu” egoísta. E nós o conseguimos porque, quando amamos, estamos completamente projetados no outro; ou em Deus, cumprindo a sua vontade, ou no próximo, ajudando-o.
Um fogo aceso, ainda que pequeno, se for alimentado, pode tornar-se um grande incêndio. Aquele incêndio de amor, de paz, de fraternidade universal que Jesus trouxe à terra.
Chiara Lubich

Esta Palavra de Vida foi publicada em agosto de 2001

quarta-feira, 18 de abril de 2012

“TENDE CORAGEM: EU VENCI O MUNDO!”


Não é preciso ir muito longe para encontrar remédio e solução para as fumaças que contaminam a atmosfera do mundo. O Evangelho é a saúde eterna e quem, em nome dele e por ele, até morre, desaparecendo, mesmo em nossos dias, talvez ignorado por todos, vive.

Esse, porque amou e perdoou, defendeu e não cedeu, é um vitorioso e, como tal, é acolhido nos páramos eternos.

Mas o Evangelho não há de ser apenas a regra da nossa morte; deve ser o pão cotidiano da nossa vida.

Passando pelas ruas de cidades tradicionalmente católicas, muitas vezes vem a tentação de duvidar da fé das pessoas. Afinal, nós sabemos quantos, também na nossa Itália católica(1), perderam o senso de Deus. E isto se vê, se sente, se sabe; e o cinema e o teatro, a televisão e a moda, a pintura e a música e os jornais o atestam.

Às vezes, certas situações nos deixam estarrecidos e uma sensação de desânimo nos assalta, vendo adultos e inocentes imersos num mundo tão pouco cristão... É quando a fé – se ainda vive em nosso coração – nos sugere uma palavra de Jesus, daquelas eternas. E, atônitos, ficamos convictos e iluminados. Certos, sobretudo, de que aquela sua palavra tem a atualidade de sempre. E nasce no coração a esperança de que, nutrindo-nos dela, não só o nosso espírito encontrará defesa ao ataque contra o mal que nos circunda, pelo bem daqueles que amamos e desejamos ver salvos.

“Tende coragem: eu venci o mundo!”(Jo 16,33).

Quando o tédio, a apatia ou a revolta ameaçam enfraquecer a nossa alma no cumprimento da vontade divina, devemos ir além. Com Jesus é possível que o homem novo viva constantemente em nós, e as nuvens de fumaça do mundo que refreiam a nossa alma se dissiparão.

Quando a antipatia e ódio nos induzirem a julgar ou detestar um irmão nosso, deixemos Cristo viver em nós e, amando, não julgando, perdoando, venceremos.

Quando nos pesam na alma situações que há anos se arrastam na família, na comunidade de trabalho – pequenas ou grandes desconfianças, ciúmes, invejas, tiranias – devemos desempenhar a função de pacificadores e mediadores entre as partes adversárias e recompor a unidade entre os irmãos em nome de Jesus, que trouxe esta idéia à terra, como a verdade, pedra preciosa do seu Evangelho.

Se nos cerca um mundo, como o político ou social, calejado por paixões, por carreirismo, esvaziado de ideais, de justiças e de esperanças, não nos deixemos sufocar. Devemos confiar e não abandonar sobretudo o nosso posto e o nosso empenho: com Quem venceu a morte, pode-se esperar contra toda esperança.


                                                                              Chiara Lubich



(1) A Itália é um país tradicionalmente de grande maioria católica

terça-feira, 17 de abril de 2012

ABORTO DE FETO ANENCEFÁLICO

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB lamenta profundamente a decisão do Supremo Tribunal Federal que descriminalizou o aborto de feto com anencefalia ao julgar favorável a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental n. 54. Com esta decisão, a Suprema Corte parece não ter levado em conta a prerrogativa do Congresso Nacional cuja responsabilidade última é legislar.
Os princípios da “inviolabilidade do direito à vida”, da “dignidade da pessoa humana” e da promoção do bem de todos, sem qualquer forma de discriminação (cf. art. 5°, caput; 1°, III e 3°, IV, Constituição Federal), referem-se tanto à mulher quanto aos fetos anencefálicos. Quando a vida não é respeitada, todos os outros direitos são menosprezados, e rompem-se as relações mais profundas.
Legalizar o aborto de fetos com anencefalia, erroneamente diagnosticados como mortos cerebrais, é descartar um ser humano frágil e indefeso. A ética que proíbe a eliminação de um ser humano inocente, não aceita exceções. Os fetos anencefálicos, como todos os seres inocentes e frágeis, não podem ser descartados e nem ter seus direitos fundamentais vilipendiados!
A gestação de uma criança com anencefalia é um drama para a família, especialmente para a mãe. Considerar que o aborto é a melhor opção para a mulher, além de negar o direito inviolável do nascituro, ignora as consequências psicológicas negativas para a mãe.   Estado e a sociedade devem oferecer à gestante amparo e proteção
Ao defender o direito à vida dos anencefálicos, a Igreja se fundamenta numa visão antropológica do ser humano, baseando-se em argumentos teológicos éticos, científicos e jurídicos. Exclui-se, portanto, qualquer argumentação que afirme tratar-se de ingerência da religião no Estado laico. A participação efetiva na defesa e na promoção da dignidade e liberdade humanas deve ser legitimamente assegurada também à Igreja.
A Páscoa de Jesus que comemora a vitória da vida sobre a morte, nos inspira a reafirmar com convicção que a vida humana é sagrada e sua dignidade inviolável.
Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, nos ajude em nossa missão de fazer ecoar a Palavra de Deus: “Escolhe, pois, a vida” (Dt 30,19).
Cardeal Raymundo Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida
Presidente da CNBB
Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário Geral da CNBB

domingo, 15 de abril de 2012

ESPIRITUALIDADE DE COMUNHÃO

Se hoje, no limiar do terceiro milênio, nós, cristãos, repassarmos a história dos nossos dois mil anos e, sobretudo a do segundo milênio, não podemos evitar mais uma vez a tristeza de constatar que muitas vezes ela foi uma secessão de incompreensões, de conflitos, de lutas que laceraram em muitos pontos a túnica sem costura de Cristo, que é a sua Igreja.
Por culpa de quem? Certamente das circunstâncias históricas, culturais, políticas, geográficas, sociais. Mas também do desaparecimento, entre os cristãos, de um elemento unificante, típico deles: o amor.
Então, na tentativa de remediar hoje tão grande mal e de recolher novas forças para recomeçar, é necessário, também como Igreja, fixar o nosso olhar exatamente lá onde se encontra o princípio da nossa fé comum: em Deus Amor.
De fato, Deus não nos ama como cristãos apenas singularmente, mas também como Igreja. E ama a Igreja por tudo o que ela fez na história de acordo com o desígnio que Deus tinha sobre ela. Mas também – e é este o lado magnífico da misericórdia de Deus – ele ama a Igreja embora ela não tenha correspondido ao seu amor, uma vez que os cristãos se dividiram; contanto que agora eles busquem a plena comunhão na divina vontade.
Foi esta consoladora convicção que, diante da pergunta: “Por que o Espírito Santo permitiu todas estas divisões?”, motivou João Paulo II – confiante naquele que extrai o bem do mal – a responder, mesmo admitindo que pode ter sido por causa dos nossos pecados: “Não poderia ser também (...) que as divisões tenham sido (...) um caminho que levou e leva a Igreja a descobrir as múltiplas riquezas contidas no Evangelho de Cristo e na redenção operada por ele? Talvez de outra forma tais riquezas não pudessem ter vindo à luz...”.
Acreditar, portanto, em Deus que é Amor não somente para conosco, mas também para com a Igreja. Este é o ponto de partida.
Mas se Deus ama a Igreja, ela deve retribuir o amor de Deus como Igreja. E as várias Igrejas ou comunidades eclesiais devem amar-se reciprocamente.
Como passar dos séculos cada Igreja petrificou-se, de certo modo, em si mesma pela onda de indiferença, de incompreensão, para não dizer: de ódio recíproco. Por isso mesmo torna-se necessário, em cada uma, um suplemento de amor, ou melhor, ainda, o povo cristão deveria ser invadido por uma torrente de amor. Aquele amor que leva a colocar tudo em comum, tornando-se cada Igreja um dom para as outras, de forma que se possa prever que, na única Igreja do futuro, a verdade será uma e única, mas expressa de maneiras variadas, observadas a partir de ângulos diferentes, embelezadas por múltiplas interpretações.
No livro “Cruzando o Limiar da Esperança”, João Paulo II escreve: “É necessário que o gênero humano alcance a unidade através da pluralidade, que aprenda a reunir-se na única Igreja, mesmo no pluralismo das formas de pensar e de agir, das culturas e das civilizações”.
Essa Igreja, em plena comunhão, será uma realidade maravilhosa, fascinante como um milagre, que despertará a atenção e o interesse do mundo inteiro.
Uma espiritualidade de comunhão, porém, não contribui somente para a realização da unidade dos cristãos, mas serve também para abrir um diálogo com pessoas de outras religiões.
Se nós, cristãos, amarmos como esta espiritualidade ensina, poderemos contar com uma luz a mais para ver e descobrir nas outras religiões a presença das “sementes do Verbo”. Com efeito, as religiões não-cristãs não raro refletem um raio da Verdade que Cristo revelou. Esta descoberta poderá levar a uma maior aproximação e compreensão recíproca.
Se é verdade que quase todas as religiões possuem a “regra de ouro” que, de modos diferentes, afirma: “faça aos outros aquilo que gostaria que os outros lhe fizessem; não faça aos outros aquilo que não gostaria que os outros lhe fizessem”, então esta poderá ser um meio para estabelecermos com aquelas um relacionamento de amor mútuo.
Porém, é, sobretudo o mistério de Jesus crucificado e abandonado que oferecerá também neste campo grande possibilidade. De fato, intui-se que nele, “que era Deus e aniquilou a si mesmo” – como Paulo escreve na carta aos filipenses -, pode-se descortinar um caminho providencial para o diálogo, sobretudo com as religiões da Ásia, muitas vezes centralizada no desapego de todas as coisas e na anulação de si.
E isso porque, se também nós nos anularmos, por amor a Jesus crucificado e abandonado poderemos compreendê-los e entrar na vida deles, pois é verdade o que afirma um teólogo: ”Conhecer a religião do outro significa entrar na sua pele, enxergar o mundo como ele o vê, penetrar no sentido que tem para ele ser hinduísta, muçulmano, judeu, budistas”.
E ainda: a espiritualidade da unidade abre diálogo com pessoas que não possuem um referencial religioso, as quais se encontram no mundo inteiro. Também neste caso Jesus na cruz é, com o seu grito, a divina resposta aos abismos de sofrimento e de provação escavados no coração dos homens pelos questionamentos profundos de tão grande parte da cultura moderna. É graças a ele e com ele que poderemos nos aproximar positivamente de todos esses nossos irmãos e irmãs.
E por fim, a unidade entre o homem e a natureza. O cosmo aguarda a revelação dos filhos de Deus (cf. Rm 8,19). Pelo que foi dito, viver uma espiritualidade ecumênica significa dar aos homens e às mulheres uma possibilidade maior de viver e revelar-se como filhos e filhas de Deus. Dessa forma, enquanto todos nós nos empenharmos para proteger a natureza, ela mesma, misteriosamente, responderá ao nosso amor, como sabem fazer todos os seres animados e sustentados por Deus.
Uma espiritualidade de comunhão, portanto. E a unidade é a nota que a sintetiza completamente. Colocando-a em prática, veremos o mundo caminhar de volta, como quando se retrocede um filme.
Quantas divisões dramáticas, quantas desagregação, quantas crises permeiam o nosso planeta, ainda hoje mergulhado na indiferença, na secularização, no materialismo!
Com essa nova vida será possível retroceder, se bem que progredindo: a humanidade encontrará a unidade para a qual Deus a criou e as Igrejas viverão em plena comunhão, de forma como ele pensou e fundou a sua Igreja.
Portanto, vale a pena experimentar.

Chiara Lubich

quinta-feira, 5 de abril de 2012

VIA-SACRA NO COLISEU

PRESIDIDA PELO SANTO PADRE
BENTO XVI
SEXTA-FEIRA SANTA DE 2012

MEDITAÇÕES DE 
Danilo e Anna Maria Zanzucchi
Movimento dos Focolares
Iniciadores do Movimento "Famílias Novas"

Introdução
Jesus diz: «Se alguém quiser vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, dia após dia, e siga-Me». Um convite válido para todos: solteiros e casados, jovens, adultos e idosos, ricos e pobres, desta ou daquela nação. Vale também para cada família, para os seus membros individualmente ou para a pequena comunidade como tal.
Antes de entrar na sua Paixão final, Jesus, no horto das oliveiras, deixado só pelos apóstolos adormecidos, teve medo daquilo que O esperava e, dirigindo-Se ao Pai, pediu: «Se é possível, afaste-se de Mim este cálice». Acrescentando imediatamente: «No entanto, não seja como Eu quero, mas como Tu queres».
Daquele momento dramático e solene, tira-se uma lição profunda para quantos se puseram a segui-Lo. Como cada cristão, também cada família tem a sua via-sacra: doenças, mortes, apuros financeiros, pobreza, traições, comportamentos imorais dum ou doutro, desavenças com os parentes, calamidades naturais.
Mas, neste caminho doloroso, cada cristão, cada família pode levantar o olhar e fixá-lo em Jesus, Homem-Deus.
Revivamos, juntos, a experiência final de Jesus sobre a terra, acolhida pelas mãos do Pai: uma experiência dolorosa e sublime, na qual Jesus condensou o exemplo e o ensinamento mais preciosos para vivermos em plenitude a nossa vida, segundo o modelo da sua vida.

ORAÇÃO INICIAL
O Santo Padre:
Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
R/. Amen.

O leitor:
Oremos.
(breve pausa de silêncio)
Jesus,
nesta hora em que recordamos a vossa morte,
queremos fixar amorosamente o nosso olhar
nos sofrimentos indescritíveis por Vós vividos.
Sofrimentos condensados, todos, no grito misterioso
que destes na cruz, antes de expirar:
«Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonaste?»
Jesus, pareceis um Deus com o ocaso à vista:
o Filho sem Pai,
o Pai privado do Filho.
Aquele vosso grito humano-divino
que trespassou o ar no Gólgota,
ainda hoje nos interroga e impressiona,
mostra-nos que algo de inaudito aconteceu.
Algo de salvífico:
da morte brotou a vida,
das trevas a luz,
da separação extrema a unidade.
A sede de nos conformarmos a Vós
leva-nos a reconhecer-Vos abandonado
onde e como quer que seja:
nas dores pessoais e colectivas,
nas misérias da vossa Igreja e nas noites da humanidade,
para enxertar, onde e como quer que seja, a vossa vida,
propagar a vossa luz, gerar a vossa unidade.
Hoje, como então,
sem o vosso abandono,
não haveria Páscoa.
R/. Amen.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Vaticano: Via-Sacra no Coliseu com meditações de casal italiano

Danilo e Anna Maria Zanzucchi fundaram o movimento «Famílias Novas», ligado aos Focolares

D.R.
Cidade do Vaticano, 15 mar 2012 (Ecclesia) – O Vaticano anunciou hoje que Bento XVI confiou ao casal italiano Danilo e Anna Maria Zanzucchi a redação das meditações da Via-Sacra de sexta-feira Santa deste ano, a 6 de abril, no Coliseu de Roma.
Segundo a sala de imprensa da Santa Sé, o esquema da celebração vai seguir as 14 estações “tradicionais”, que percorrem os momentos do julgamento e da morte de Jesus, com reflexões dedicadas ao tema da família.
Danilo e Anna Maria Zanzucchi são os fundadores do movimento ‘Famílias Novas’, um ramo do movimento dos Focolares, que surgiu em 1967 com o objetivo de “viver a espiritualidade da unidade e irradiar no mundo da família os valores que promovem a fraternidade universal”.
Bento XVI presidirá à cerimónia, transmitida por canais de televisão do mundo inteiro a partir de Roma, às 21h15 (hora local, menos uma em Lisboa).
Todos os anos, o Papa pede a um autor diferente a redação dos textos que servem de reflexão para cada uma das estações desta celebração, que é seguida por dezenas de milhares de peregrinos, com velas na mão.
Nos últimos anos, as meditações foram confiadas por Bento XVI ao cardeal Angelo Comastri (2006), arcipreste da Basílica de São Pedro; cardeal Gianfranco Ravasi (2007), presidente do Conselho Pontifício para a Cultura; cardeal Joseph Zen Ze-Kiun, arcebispo de Hong Kong, (2008); Thomas Menamparampil, arcebispo de Guwahati, Índia (2009); cardeal Camillo Ruini, antigo vigário do Papa para a diocese de Roma (2010); irmã Maria Rita Piccione, presidente da Federação das Monjas Agostinianas (2011).
Em 2002, as meditações foram escritas por 14 jornalistas acreditados junto da sala de imprensa da Santa Sé, incluindo a portuguesa Aura Miguel.



Bento XVI escolhe casal para meditações da Via Sacra no Coliseu

Mirticeli Medeiros
Boletim Sala de Imprensa da Santa Sé


Cidade Nova
Danilo Zanzucchi e Anna Maria Zanzucchi
O Papa Bento XVI escolheu um casal para estar à frente das meditações da Via Sacra da Sexta-feira Santa que tradicionalmente é realizada no Coliseu, em Roma. Danilo Zanzucchi e Anna Maria Zanzucchi, ambos do movimento “Famílias Novas” do Movimento dos Focolares farão reflexões voltadas para o tema família durante as 14 estações da via dolorosa.

Ano passado as meditações foram feitas pela presidente da federação das Monjas Agostinianas, madre Maria Rita Piccione.

Em 2005, o então cardeal  Joseph Ratzinger foi quem conduziu as meditações e as orações da Via Sacra do Coliseu.





Papa confia a um casal textos de meditação para a Via Sacra da Sexta-Feira Santa


Cidade do Vaticano (RV) – Bento XVI confiou a um casal os textos de meditação para a tradicional Via Sacra da Sexta-Feira Santa, no Coliseu, que, esse ano, cai em 06 de abril. Trata-se de Danilo e Anna Maria Zanzucchi, iniciadores do Movimento “Famílias Novas”, no âmbito do Movimento dos Focolares. As reflexões têm como referência o tema da família. A estrutura da Via Sacra será a tradicional das 14 Estações. (ED)

quarta-feira, 14 de março de 2012

Audiência Geral: Aprender com Maria a ser construtores de uma nova humanidade

Cidade do Vaticano (RV) – Uma manhã ensolarada acolheu fiéis e peregrinos na Praça S. Pedro, para a Audiência Geral das quartas-feiras.

O Papa iniciou uma nova série de catequeses sobre a oração no Livro dos Atos dos Apóstolos e nas Cartas de S. Paulo.

Bento XVI inaugurou esta nova série falando da presença orante de Maria. Enquanto a anunciação nos narra a presença de Maria no começo da vida terrena de Jesus, nos Atos dos Apóstolos a vemos reunida com eles, à espera da vinda do Espírito Santo, acompanhando com sua oração silenciosa os primeiros passos da Igreja.

A presença de Maria, de Nazaré a Jerusalém, passando pela cruz, é caracterizada pela capacidade de manter um clima perseverante de recolhimento. Com os apóstolos, Maria se encontra em oração com e na Igreja. Maria nos ensina a necessidade da oração e de manter com seu Filho uma relação constante, íntima e repleta de amor, para poder anunciar com valentia a todos os homens que ele é o salvador do mundo.

RealAudioMP3 No final da catequese, Bento XVI fez um resumo em várias línguas, entre as quais em português, seguido de sua saudação aos peregrinos lusófonos: "Queridos irmãos e irmãs, nos Atos dos Apóstolos, aparecem os Discípulos reunidos em oração com a Mãe de Jesus no Cenáculo à espera do Espírito Santo. Assim como a vida terrena de Jesus teve início com Maria, assim também a Igreja dá os primeiros passos com Ela. As etapas do caminho de Maria desde a sua casa de Nazaré até ao Cenáculo, passando pela Cruz onde Jesus Lhe entregou João como filho, mostram-Na num perseverante clima de recolhimento, meditando tudo no silêncio do seu coração. Com esta atitude interior de escuta, Maria é capaz de ler a história, reconhecendo com humildade que é o Senhor quem tudo realiza. No Magnificat, vemos Maria cantar não só as maravilhas n’Ela operadas, mas também aquilo que Deus fez e continua a fazer na História. Por isso esta sua presença no Cenáculo tem um grande significado, pois Maria partilha com os Apóstolos aquilo que há de mais precioso: a memória viva de Jesus na oração. Venerar a Mãe de Jesus na Igreja significa aprender d’Ela a ser comunidade que reza. 

Amados peregrinos de língua portuguesa, especialmente os grupos paroquiais de São José e Cosminho, sede bem-vindos! Que esta peregrinação ao túmulo dos Apóstolos fortaleça, nos vossos corações, o sentir e o viver em Igreja, sob o terno olhar da Virgem Mãe! Com Ela, aprendei a ler os sinais de Deus na História, para serdes construtores duma nova humanidade. Como encorajamento e penhor de graças, dou-vos a minha Bênção".