sexta-feira, 15 de junho de 2012

ACENDE‑SE UMA CÉLULA VIVA



   Se olharmos ao nosso redor, certas cidades por onde passamos, ficamos desanimados e temos a impressão de que seja impossível edificar uma sociedade cristã. 0 mundo, das vaidades, parece dominar...
  E dir‑se‑ia utópica a realização do testamento de Jesus, se não se pensasse nele que também viu um mundo semelhante a este e no fim de sua vida, pareceu ter sido derrotado, vencido pelo mal.
       Também Ele olhava para toda aquela multidão a quern amava como a si mesmo. Ele, Deus, que a criara; queria oferecer os laços para reuni‑la, como filhos ao Pai, irmão ao irmão.
         Viera para recompor a família e fazer de todos uma SÓ coisa. Todavia, apesar de suas palavras de fogo e verdade ‑ podando a ramagem inútil das vaidades que sepultam o eterno, existente no homem - as pessoas, muitas pessoas, mesmo compreendendo, não queriam entender e permaneciam de olhos fechados porque a alma estava em trevas.
         E isto porque Deus as criara livres. Ele podia vindo do céu à terra redimi‑las todas, apenas com um olhar. Mas, devia deixar para elas ‑ criadas à sua imagem ‑ a alegria da livre conquista.
          Olhava o mundo assim como nós o vemos, mas não duvidava.
      De noite invocava o céu lá de cima e o céu dentro de si a Trindade que é o Ser verdadeiro, o Tudo real, enquanto fora, pelas ruas, caminhava a nulidade que passa.
       É preciso fazer como Ele e não separar‑se do Eterno, do Incriado, que é a raiz da criação, e acreditar na vitória final da luz sobre as trevas. Passar pelo mundo, sem querer deter‑se nele. Olhar o céu que existe também dentro de nós e apegar-se àquilo que tem ser e valor­. Tornar‑se uma só coisa com a Trindade que repousa na alma e a ilumina com eterna luz. Então per­ceberemos que, já de olhos abertos, olhamos o mundo e as coisas; porém não somos mais nós que as olha­mos. É Cristo que olha em nós e percebe que há ce­gos, mudos e paralíticos a serem iluminados, recupera­dos, curados. Cegos da visão de Deus dentro e fora de si; paralíticos ignorando a divina vontade que, do fun­do do próprio coração, os impele ao movimento eterno que é o eterno amor.
         Vemos e descobrimos neles a nossa própria luz, o nosso verdadeiro eu - Cristo: nossa verdadeira realidade neles. E, tendo‑o reencontrado, nos unimos a Ele no irmão. Deste modo iluminamos uma célula do Corpo de Cristo, célula viva, morada de Deus, que tem fogo e luz para comunicar aos outros. E Deus faz de duas pessoas uma só coisa e se coloca como relação entre elas: Jesus no meio.
         Assim o amor circula e espontaneamente leva, como rio impetuoso, tudo o que os dois possuem, os bens espirituais e os bens materiais. Isto é testemunho eficaz e externo do amor unitivo e verdadeiro.
         Mas é preciso ter coragem para não dar muita importância a outros meios, se quisermos fazer reviver um pouco de cristianismo.
         É preciso fazer com que Deus viva dentro de nós, para transbordá‑Lo aos outros como um jorro de vida reanimando os enfraquecidos.
    E mantê‑Lo vivo entre nós, amando‑nos.
      Então, tudo se revoluciona ao nosso redor: política e arte, escola e trabalho, vida particular e divertimen­tos. Tudo. Jesus é o homem perfeito que sintetiza em si todos os homens e toda verdade.
         E quem encontrou este Homem, encontrou a solução para qualquer problema humano e divino.
      Chiara

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Humanidade Nova



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A consciência de que o Evangelho vivido, sob a luz da espiritualidade coletiva proposta por Chiara Lubich, pode dar respostas concretas aos desafios sociais de qualquer lugar e tempo, interpela homens e mulheres de boa vontade a enfrentar com perspicácia e competência os problemas da sociedade de hoje, sanar as chagas e evidenciar as potencialidades de indivíduos e comunidades. Além do mais, na vida do Movimento, a dimensão espiritual jamais esteve desagregada da social, se já em 1943 Chiara mesma sonhava em “resolver o problema social de Trento”, e com suas primeiras companheiras girava pela cidade para curar as feridas materiais e espirituais dos sobreviventes dos bombardeios, para confortar quem ficara sozinho. Numerosas as experiências vividas nesse sentido, sempre com a extraordinária intervenção da Providência. Expressão no campo social do Movimento dos Focolares, o Movimento Humanidade Nova tem como objetivo fazer com que as pessoas, seja em seu compromisso cotidiano seja em ações esporádicas, atuem a revolução evangélica, e que esta possa penetrar nas estruturas, renovando-as e gerando esperança, confiança, positividade. O Movimento Humanidade Nova nasceu em 1968 e tem os seus principais animadores e sustentadores nos voluntários de Deus. São homens e mulheres comprometidos na linha de frente para a atuação das palavras do Evangelho, nos mais variados âmbitos sociais, culturais, econômicos e políticos, para dar respostas concretas aos desafios da sociedade contemporânea. Em 1983, estando já maduro e difundido, o Movimento Humanidade Nova saiu à vida públicacom um evento no Palaeur de Roma, do qual participaram mais de 15 mil pessoas, dos cinco continentes. Apresentando a João Paulo II os frutos do ideal da unidade, na sua ação em campo social, Chiara Lubich descreveu assim os participantes: pessoas que desejam “testemunhar ao mundo que as circunda, com a própria vida e com a evidência dos fatos, a formidável incidência que o Evangelho tem também sobre o aspecto mais terreno da vida, individual e social, isto é, a contribuição que a Palavra de Deus, colocada em prática, é capaz de oferecer para a construção da cidade terrestre”. Fazem parte de Humanidade Nova pessoas de todos os credos e condições, pessoas que querem contribuir para dar uma alma à sociedade contemporânea, concorrendo para a renovação de homens e estruturas. Justamente pelo aporte que o Evangelho dá “à construção da convivência civilrevigorando-a e transformando-a com o espírito da unidade, em todos os seus âmbitos” – como se lê no artigo 4 do Regulamento – as pessoas que dele participam, continua o artigo, reconhecem em todas as chagas e divisões da sociedade o grito de abandono de Jesus, e, confiando na promessa que Ele mesmo fez, “Onde dois ou três estão reunidos em meu nome, eu estou no meio deles”, agem unidos, para responder com o amor ao Seu grito. Almejam suscitar a reciprocidade até chegar à unidade,cooperando com ideias e ações, para renovar relacionamentos, ambientes, estruturas, até influir nos aspectos políticos e legislativos. Consideram o canto do Magnificat a sua “Carta Magna”, e confiam a Maria, Rainha dos Povos, a sua ação.

Humanidade Nova, lê-se no artigo 3, “articula-se em ‘mundos’, que representam o conjunto dos vários âmbitos da vida social, com todas as pessoas envolvidas e as diversas categorias que atuam neles”. Por exemplo, do mundo da saúde fazem parte médicos, enfermeiros, doentes; o mundo da educação inclui professores, serventes, pais, e assim por diante, para todos os outros âmbitos, da política à economia, do direito à arte. Um de seus últimos desenvolvimentos está voltado, de modo mais específico, ao contexto urbano: o Projeto Cidade, com o qual abre-se um caminho de amplo diálogo dentro da sociedade civil, das associações, das diversas formas de voluntariado e das instituições, por meio de iniciativas sociais, culturais, políticas. Um laboratório de fraternidade, dentro do qual é possível descobrir a beleza de pensar e trabalhar juntos por um projeto comum, com a coragem de enfrentar as grandes questões da humanidade, como o respeito da pessoa em todos os seus componentes, da vida e do ambiente, mas também a paz e a justiça, para tornar a comunidade do mundo mais vivível e mais bela.



17 Janeiro 2011
Os “mundos” de Humanidade Nova são os diversos âmbitos da vida social, com todas as pessoas e categorias que neles trabalham. Eles se reuniram num congresso no mês de janeiro.
Rocca di Papa (Itália), centro de encontros “Mondo Migliore”: foi nesse local que se realizou o congresso promovido pelo Movimento Humanidade Nova, dos Focolares, nos dias 8 e 9 de janeiro de 2011. Este momento de encontro foi dedicado aos assim chamados “mundos”.
“O Movimento Humanidade Nova não se articula por categorias, mas sim por ‘mundos’, para os quais convergem aquelas pessoas que trabalham lado a lado cotidianamente”, disse Chiara Lubich em 1983. Portanto, os “mundos” – oito ao todo – representam o conjunto de vários âmbitos da vida social com todas as pessoas que neles trabalham: médicos, enfermeiros, doentes, no “mundo” da saúde; professores, alunos, colaboradores e pais, no “mundo” da escola; empresários, comerciantes, artesãos, sindicalistas e operários, no “mundo” da economia e do trabalho. E ainda poderíamos continuar a enumerá-los.
Participaram do congresso 230 pessoas, sendo a maioria italiana, com representantes da Croácia, Espanha e Portugal. O objetivo do congresso: fazer crescer a consciência de que os “mundos” representam um instrumento privilegiado e eficaz para ir ao encontro da humanidade.
Conseguir olhar as feridas de um âmbito social e reconhecer ao mesmo tempo suas oportunidades, foi um dos trabalhos principais dos congressistas. Isso foi feito por meio de uma comunhão de experiências e de ideias, para colocar-se a serviço das cidades, comunidades, escolas, hospitais, câmaras de vereadores, fábricas, escritórios, bairros… encontrando juntos as melhores respostas aos desafios que a sociedade de hoje é chamada a vencer, tendo sempre diante de si a fraternidade universal.
Além dos momentos de plenário, o trabalho nos grupos foi desenvolvido com afinco, ardor, vivacidade e escuta profunda. Isso permitiu que os participantes não apenas se conhecessem, mas também se encorajassem à medida que escutavam as experiências dos outros.
Constituiu-se assim um trabalho inicial para delinear as “ideias-força” que emergem das várias experiências, situando também algumas prioridades de atuação nos diferentes âmbitos.
É sintomático o comentário de Rosamaria Milisenna, que trabalha no mundo da educação e da cultura, na Sicília: “A beleza desses dias foi descobrir que, vivendo no âmago da sociedade e por ela, nossas aptidões profissionais, e nossas aspirações, podem sugerir uma idéia, uma solução ou uma resposta que aquele pedaço de mundo no qual vivemos espera. E fazemos isso juntos, não

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