quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Vida consagrada deve "penetrar mais a fundo" no mistério de Deus

Quarta-feira, 02 de fevereiro de 2011, 09h47

Leonardo Meira

Da Redação, com L'Osservatore Romano (em italiano - tradução de CN Notícias)


Katolsk
O Arcebispo de Brasília e novo prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, Dom João Braz de Aviz
Viver a experiência da Santíssima Trindade como fonte de comunhão e penetrar mais a fundo no mistério de Deus. Essa é a saída apontada pelo Arcebispo brasileiro Dom João Braz de Aviz para renovar a vida comunitária religiosa.

Desde o último dia 4 de janeiro, Dom João é o prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica*.

"A descoberta, através da experiência, de que Deus é amor e que nós somos criados à Sua imagem, poderá levar também os consagrados e as comunidades a afirmar: 'O outro, a outra, para mim, é uma oportunidade constante de experimentar a Deus, de experimentar o amor'", afirma.

Neste dia 2 de fevereiro, data litúrgica da Apresentação do Senhor no Templo, a Igreja comemora o Dia da Vida Consagrada.

Em entrevista ao jornal do vaticano L'Osservatore Romano, Dom João fala sobre o cenário atual da vida religiosa no mundo, com seus desafios e esperanças, suas experiências pessoais com movimentos eclesiais e laicais - especialmente os Focolares -, autonomia e dependência entre bispos e religiosos e o papel desempenhado pelos religiosos no desenvolvimento da teologia da libertação.

L'Osservatore Romano: O senhor não pertence a uma congregação religiosa. Acredita que isso possa ser algum tipo de barreira para o novo serviço que lhe espera?

Dom João Braz de Aviz: É a mesma observação que fez o Cardeal Tarcisio Bertone em 14 de dezembro passado, quando me chamou em nome do Papa. O secretário de Estado me respondeu dizendo que isso não criava nenhum problema. De fato, eu não pertenço a nenhum instituto religioso, ainda que tenha estudado sete anos no seminário menor do Pontifício Instituto das Missões Exteriores (Pime), em Assis, no Estado de São Paulo, de 1958 a 1964. Desde então, tive estreito contato com o Movimento dos Focolares e me aproximei das ordens e congregações cujos membros se inspiram na espiritualidade da unidade.


LOR: Teve contatos ou experiências com outros movimentos eclesiais e laicais?

Dom João:
O movimento dos Focolares é a minha família desde quando tinha dezessete anos. Através da sua espiritualidade, em todas as dioceses onde estive – Vitória, Ponta Grossa, Maringá e Brasília –, sempre trabalhei pela unidade dos carismas, das comunidades e das associações, como resposta às preciosas orientações dadas por João Paulo II na carta apostólica Novo millennio ineunte.


LOR: Nos últimos anos, em particular após o Concílio Vaticano II, alguns sublinharam a crise da vida consagrada. De qual tipo de crise se trata?

Dom João:
O Concílio Vaticano II pediu às ordens e congregações religiosas uma "atualização", que comportasse uma revisão das regras e das constituições, frente às novas circunstâncias culturais e históricas do século passado. O retorno às fontes, ou seja, ao coração do carisma dado à Igreja pelo fundador, e a atenção às novas circunstâncias, que comportavam diferentes sensibilidades, ofereceram a muitas famílias religiosas a oportunidade de se renovar e adquirir posterior vigor, com abundantes frutos. Hoje, várias ordens e congregações estão assistindo a uma diminuição das vocações, ao envelhecimento de seus membros e, em muitos casos, a uma diversidade de orientações no interior da própria família religiosa. Por outro lado, a influência do individualismo e do relativismo do nosso tempo alcançou, ao menos em parte, também alguns âmbitos da vida consagrada, diminuindo o seu vigor. Penso que seja, sobretudo, necessário penetrar mais a fundo no mistério de Deus, para poder renovar as relações. Nesse sentido, a carência teológica e mística de uma experiência da Santíssima Trindade como fonte da comunhão, levou a afirmações negativas sobre a vida comunitária. É o caso, por exemplo, dos consagrados que dizem: "A minha máxima penitência é a vida comum". A descoberta, através da experiência, de que Deus é amor e que nós somos criados à Sua imagem, poderá levar também os consagrados e as comunidades a afirmar: "O outro, a outra, para mim, é uma oportunidade constante de experimentar a Deus, de experimentar o amor".


LOR:
A reafirmada autonomia das congregações religiosas com relação aos ordinários locais frequentemente levou, no passado, a recíprocas incompreensões. As visitas pastorais dos Pontífices, nos últimos trinta anos, contribuíram, de alguma forma, para melhorar as relações com os bispos?

Dom João: O sábio e atento magistério dos últimos Pontífices revelou uma base segura de caminho eclesial em um momento de novas descobertas e novas experiências. Autonomia e dependência são valores humanos que não podem ser compreendidos e construídos somente com critérios sociológicos. A experiência da fé faz-nos compreender e viver esses valores a partir do critério da comunhão, que tem as suas raízes no mistério da unidade e da trindade de Deus. Quando autonomia e dependência tornam-se experiência de amor, obediência e autoridade se equilibram e suscitam grande alegria interior.


LOR: Acredita que o "calcanhar de aquiles" das vocações seja expressão de um momento passageiro, ainda que difícil, ou é sinal sério de alarme para o futuro?

Dom João:
Não são somente os religiosos e as religiosas que experimentam a diminuição das vocações. Trata-se de um fenômeno mais amplo e que não se manifesta de modo idêntico nas diversas partes do mundo. A Europa sente, de maneira particular, esse problema. À medida que a fidelidade dos batizados à sua vocação de discípulos crescer e, ao mesmo tempo, o seu testemunho for dado em comunhão com outros carismas e realidades da Igreja, a vitalidade reaparecerá.


LOR: A vida consagrada, no Brasil, teve um papel importante para o desenvolvimento e a evolução da teologia da libertação. Como o senhor viveu este longo tempo de pesquisa teológica e pastoral?

Dom João: A opção preferencial pelos pobres é uma opção evangélica da qual dependerá, antes de tudo, a nossa salvação
. A sua descoberta e a sua construção por parte da teologia da libertação significaram um olhar sincero e responsável da Igreja ao vasto fenômeno da exclusão social. João Paulo II afirmou à época – através de carta enviada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e entregue ao Cardeal Gantin – que a teologia da libertação não é somente útil, mas também necessária. Naquele tempo, as duas instruções enviadas por Roma sobre o tema corrigiam questões ligadas ao uso do método marxista na interpretação da realidade. Penso que ainda não foi suficientemente completado o trabalho teológico para desvincular a opção pelos pobres da sua dependência de uma teologia da libertação ideológica, como advertiu recentemente Bento XVI. Um dos caminhos mais promissores, penso, consiste em aplicar à interpretação da realidade a antologia e a antropologia trinitárias. Pessoalmente, vivi os anos de nascimento da teologia da libertação com muita angústia. Estava em Roma para estudar teologia. Por pouco não abandonei a vocação sacerdotal e até mesmo a Igreja. O que me salvou foi o compromisso sincero com a espiritualidade da unidade no movimento dos Focolares. Os religiosos e as religiosas, com a radicalidade da sua vocação evangélica, poderão colaborar muito neste novo percurso.


LOR: O que podem esperar as irmãs e os religiosos da sua ação de governo e orientação?

Dom João: A vida consagrada é uma pérola de enorme valor. As ordenas e as congregações religiosas são palavras do Evangelho distribuídas ao longo de toda a história da Igreja. Das grandes experiências religiosas, nasceram famosas escolas de espiritualidade e, dessas, importantes escolas de teologia. A fidelidade aos fundadores e a comunhão profunda com a Igreja poderão devolver à vida consagrada um maior esplendor no serviço à própria Igreja e à humanidade.

* Essa Congregação vaticana é responsável por tudo o que pertence aos Institutos de Vida consagrada (Ordens e Congregações religiosas, seja masculinas ou femininas, e Institutos seculares) e as Sociedades de Vida apostólica, principalmente no que diz respeito a regime, disciplina, estudos, bens, direitos e deveres. Também é competente no que pertence à vida eremítica, às virgens consagradas e suas associações, às novas formas de vida consagrada e ordens seculares terceiras.

Um comentário:

  1. JESUS CRISTO LIVRA A FAMILIA TERRENA DO MAL DO ABORTO COM O PODER DA FÉ: (ES.57.2) - (LE.6.1) – Há um mal que vi debaixo do sol, e que pesa sobre os homens: (DT.13.11) – E todo o Israel ouvirá e temerá, e não se tornará a praticar maldade como esta no meio de ti; (JR.15.5) – pois quem compadeceria de ti, ó Jerusalém? (LE.5.18) – Eis o que eu vi: (EC.25.26) – Toda a malicia é leve em comparação da malicia da mulher, sobre ela caia a sorte dos pecadores: (ÊX.32.31) - Ora, o povo cometeu grande pecado, fazendo para si deuses de ouro: (SL.57.2) – Clamarei ao Deus Altíssimo, ao Deus que por mim tudo executa: (LM.2.20) – Vê, Senhor, e considera a quem fizeste assim! Hão de as mulheres comer o fruto do seu carinho? Ou se matará no santuário do Senhor, o sacerdote e o profeta? (JÓ.10.18) porque, pois, me tiraste da madre? Ah! Se eu morresse antes que olhos nenhuns me vissem; (JÓ.81.16) – ou, como um aborto oculto, eu não existi ria, como crianças que nunca viram a luz:(JÓ.5.4)–Os seus filhos estão longe do socorro, são espezinhados as portas e não há quem os livre: (LE.8.11) – Visto como não se executa logo a sentença sobre a má obra, o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto a praticar o mal: (HC.2.2) – O Senhor me respondeu e disse: (IS.7.7.) – Isto não subsistirá nem tampouco acontecerá: (ÊX.23.26) – Na tua terra não haverá mulher que aborte, completarei o numero dos teus dias; (1CO.15.45) – pois assim está escrito:(AR.916.64)

    (Na pagina 156 da Bibliogênese: São 973 letras e 56 sinais que revelam isto):

    Eu sou o Espírito do Senhor Deus, do vosso Pai Eterno, que testei as almas dos filhos de Adão e Eva na minha Lei, e que hoje diz a verdade aos Homens e as Mulheres, na ação de um Santo Profeta que crê, ama, luta e tem falado por mim: Escutai, entendei, amai e lutai; pois haverá bom futuro no Homem que se faz filho do amor, e que se levanta como esse Ser Espiritual iluminado, como o Cristo: Agora existe outro Cristo com o poder do seu Deus, e não haverá mais a malicia do diabo, nem o abominável mal do aborto; porque aqui o Filho do Homem decreta e promulga esta sentença na Santa Lei de Deus: Quem praticar o aborto na obra da criação, cometerá uma loucura e um pecado imperdoável, pois o aborto provocado será considerado como crime de morte na terra do futuro povo Cristão: Então, tanto os homens como as mulheres já passaram a ser pecadores conscientes à luz do saber de Israel, e também não poderão escapar da mão do Senhor, como execu-tores desse crime: Testemunhai que Cristo veio ensinar aos Cristãos como executar as nossas leis e estatutos, e a espiritualizar as almas das crianças, ao ler à si: O Senhor Deus provou aos Homens e às Mulheres que eu existo como o Cristo? E seguireis o nosso Espírito que não mor-rerá? (IL.973.56)

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